Estrago de botnet "Mariposa" poderia ter sido maior, diz polícia

quarta-feira, 3 de março de 2010 13:52 BRT
 

MADRI (Reuters) - Os administradores da rede que controlava 13 milhões de computadores em 190 países e que foi descoberta pela polícia espanhola não chegaram a aproveitar todo o seu potencial daninho, afirmaram autoridades nesta quarta-feira, voltando a defender a necessidade de "navegação responsável" na Internet.

"Tivemos sorte por essa 'botnet' com 13 milhões de máquinas estar sob o controle de pessoas que não perceberam as potencialidades que ela oferecia", disse o comandante Juan Salón, chefe da unidade de crimes de computação da Unidade Central de Operações da polícia espanhola, em entrevista coletiva concedida em Madri.

Segundo as autoridades espanholas, a rede descoberta era a maior já desarticulada até agora pela polícia no mundo.

"Temos que nos conscientizar de que a rede pode ser muito positiva mas é preciso tomar certas medidas básicas.... Para mim, a principal medida de segurança é a navegação responsável", afirmou.

Três jovens espanhois com idades entre 25 e 31 anos foram detidos em Balmaseda (Vizcaya), Santiago de Compostela e Molina de Segura (Murcia), acusados de dirigir uma rede que controlava os computadores depois de infectá-los por meio de um cavalo de Troia. A rede permitia aos acusados roubar dados bancários, de correio eletrônico e senhas de milhões de usuários, empresas e até instituições governamentais, ou bloquear suas páginas, segundo as autoridades.

Com essa rede, de acordo com a polícia, poderia ter sido realizado um ataque ciberterrorista muito mais sério do que os executados contra a Estônia ou a Geórgia.

Para definir a importância da operação, o tenente-coronel José Antonio Berrocal, chefe do departamento de investigação de crimes econômicos e tecnológicos da Unidade Central de Operações da polícia espanhola, indicou que as estimativas são de que existam entre 60 milhões e 100 milhões de computadores infectados em todo o mundo.

Na Espanha, de acordo com a Panda Security, uma companhia espanhola de segurança na computação que colaborou com as investigações, a estimativa é de que existam 200 mil máquinas infectadas. No computador do acusado detido em Vizcaya, visto como o maior responsável pela rede clandestina, foram encontrados dados pessoais sobre mais de 800 mil internautas.

A investigação contra a rede, realizada em conjunto com o FBI e a empresa canadense Defence Intelligence, começou em maio de 2009, quando a empresa detectou a rede, chamada de "Mariposa".   Continuação...