Para as ações do Google, China pode ser ponto de inflexão

segunda-feira, 22 de março de 2010 10:12 BRT
 

Por Alexei Oreskovic

SAN FRANCISCO (Reuters) - Sair do mercado de buscas da China pode representar um revés não só para a estratégia mundial de negócios do Google mas para uma ação que há muito é sinônimo de oportunidades de crescimento virtualmente ilimitadas.

Depois de quase seis anos fascinando Wall Street com seu potencial de crescimento irrestrito, o Google está pela primeira vez ameaçando fechar uma importante rota de crescimento futuro, caso decida encerrar suas operações na China, o maior mercado mundial de Internet por número de usuários.

Para os investidores que há muito celebram o status do Google como uma das principais ações de crescimento no setor de tecnologia, a situação na China é motivo para certa reavaliação.

"Caso a oportunidade da China não exista, isso prejudica os múltiplos que as pessoas estão dispostas a pagar pelo Google," disse Aaron Kessler, analista da Kaufman Brothers.

Desde que o Google anunciou na metade de janeiro que pretendia deixar de censurar seus resultados na China, as ações da empresa caíram em cerca de 6,3 por cento, fechando a 560 dólares na sexta-feira e reduzindo em 11,6 bilhões de dólares sua capitalização de mercado. No período, o índice Nasdaq avançou em 3,4 por cento.

A onda de vendas de ações do Google aconteceu embora as perspectivas financeiras de curto prazo de Wall Street quanto à companhia tenham melhorado. Nos dois últimos meses, a estimativa média dos analistas quanto ao faturamento e lucro por ação do Google no ano que vem subiu em 3,1 e 2,3 por cento, respectivamente, de acordo com a Thomson Reuters StarMine.

O Google domina o mercado de busca nos Estados Unidos e na maioria dos demais países, mas fica em distante segundo lugar no mercado da China, onde a Baidu, uma poderosa companhia local, lidera. Desde que o Google anunciou a possibilidade de sair da China, as ações da Baidu subiram em 44,5 por cento.

Os papéis da Baidu estão sendo negociados a 41 vezes o lucro previsto para 2011, enquanto os do Google trocam de mãos a pouco menos de 18 vezes o lucro projetado para o ano que vem.