Jornal chinês acusa Google de ajudar inteligência dos EUA

quarta-feira, 24 de março de 2010 10:31 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - Um jornal do Partido Comunista Chinês acusou nesta quarta-feira o Google de contribuir com espiões dos Estados Unidos e disse que o recuo da empresa sobre a censura chinesa justifica os esforços de Pequim para promover o crescimento tecnológico interno.

A nova queixa chinesa contra a maior empresa de pesquisa na Internet foi publicada na edição internacional do Diário do Povo, principal jornal do Partido Comunista.

Na segunda-feira, o Google fechou seu principal portal em chinês, o Google.cn, e começou a redirecionar as buscas para um site em Hong Kong, cerca de dois meses depois de ter dito que não aceitaria a auto-censura exigida pelo governo chinês, que determina restrições fortes aos usuários domésticos à Internet.

Na terça-feira, o ministro do Exterior da China disse que considera a saída do Google como um "ato individual" de uma empresa, e disse que o país continua recebendo bem os investidores estrangeiros.

Mas a resposta de Pequim às queixas do Google sobre a censura e ataques cibernéticos também ecoaram nas alegações nacionalistas de que o Google e Washington usaram a disputa sobre os controles de Internet para desafiar a autoridade do Partido Comunista.

"Para o povo chinês, o Google não é deus, e mesmo que faça todo um espetáculo sobre políticas e valores, ainda não é deus", segundo um comentário na primeira principal do jornal.

"Na verdade, o Google não é virgem quando se trata de valores. Sua cooperação e conivência com a inteligência dos Estados Unidos e agências de segurança é bem conhecida", disse o jornal.