Twitter desafia poder midiático de Chávez na Venezuela

quarta-feira, 24 de março de 2010 18:26 BRT
 

Por Enrique Andrés Pretel

CARACAS (Reuters) - O vertiginoso crescimento do Twitter como meio alternativo de informação na Venezuela fez disparar os alarmes para o presidente Hugo Chávez, que, após uma década travando uma "guerra midiática" contra seus opositores, percebeu ter deixado um lado desprotegido: a Internet.

Com 200 mil contas ativas, a Venezuela é um dos países latino-americanos com mais 'twiteiros' per capita entre internautas e, apenas em 2009, o número de usuários do popular serviço de microblogs disparou mais de mil por cento no país.

Jornalistas, líderes de opinião e a mídia no geral, a maioria opositores do governo, se inscreveram em massa no serviço que permite postar mensagens de 140 caracteres para seguidores de seu perfil, contribuindo para dar cada vez mais relevância em uma sociedade em que falta informação.

Embora seu impacto real na cena política venezuelana seja limitado, muitos veem estes 'telegramas digitais' como uma poderosa ferramenta para desafiar a avassaladora presença midiática de Chávez em um momento em que sua popularidade se encontra em xeque devido às crises elétrica e econômica.

"O Twitter não vai mudar tendências eleitorais, não vai convencer alguém a mudar seu voto. O que está, sim, mudando é a forma de se comunicar e se organizar dos usuários, dando-lhes um poder e uma presença informativa inéditos", disse Luis Carlos Díaz, do Centro Gumilla.

Analistas acreditam que, com o país tão dividido, as redes sociais poderiam ter um papel importante na mobilização do voto opositor frente à grande maquinaria eleitoral do chavismo nas eleições legislativas de setembro.

No começo do ano, estudantes que se opõem ao projeto socialista de Chávez coordenaram, através do Twitter, vários protestos contra a retirada da grade da TV a cabo do canal RCTV, cuja concessão de sinal aberto não foi renovada pelo governo em 2007.

Além disso, um país com uma presença de telefonia celular de 80 por cento e mais 1,2 milhão de smartphones --cerca de 7 por cento do mercado ante média de 2 por cento para a América Latina-- tem o perfil perfeito para cultivar o crescimento desse tipo de rede social.