Google encontra poucos aliados em batalha contra a China

sexta-feira, 26 de março de 2010 11:49 BRT
 

Por Alexei Oreskovic e Paul Eckert

SAN FRANCISCO/WASHINGTON, 26 de março (Reuters) - O Google usou a liberdade da Internet como lema em seu confronto com a China. Mas o silêncio ensurdecedor na arena empresarial dos Estados Unidos destaca até que ponto o Google parece estar isolado em um esforço para mudar as regras do maior mercado mundial de Internet.

Apenas a GoDaddy.com seguiu o exemplo do Google no protesto contra as políticas chinesas de censura. A companhia de hospedagem e registro de domínios anunciou na quarta-feira que não mais registraria nomes de domínio na China, devido às novas regras que requerem que recolha fotos de seus clientes.

A decisão da GoDaddy, mais famosa por seus comerciais de duplo sentido do que pela defesa da liberdade da Internet, contrasta acentuadamente com a resposta anêmica de outras empresas.

Microsoft, Yahoo e outros costumam alardear os princípios de liberdade da Internet, mas nenhuma delas seguiu diretamente o apelo do Google pelo fim da censura à Web na China. E, excetuada a GoDaddy, nenhuma outra companhia de tecnologia deu a entender que mudará suas práticas de negócio na China a fim de protestar contra a regulamentação e as restrições que existem naquele mercado.

"A China é um mercado muito importante", disse Jim Frieland, analista da Cowen and Co. "Qual é o incentivo para que um governo ou outra empresa se alie ao Google? Não existe incentivo, e é por isso que não vimos uma atitude como essa."

A dificuldade do Google em conquistar aliados pode ser reveladora dos desafios que o maior serviço mundial de buscas tem pela frente na China, já que o passado prova que se torna mais fácil negociar com o governo chinês caso uma empresa conte com amplo apoio.

No ano passado, uma campanha coordenada de organizações setoriais e do governo dos EUA levou a China a abandonar o controvertido plano de impor aos fabricantes de computadores a instalação de um software especial de filtragem de dados chamado Green Dam nas máquinas vendidas no país.

Mas o governo dos EUA parece ter decidido se manter afastado, desta vez, e definiu a decisão do Google como "assunto de negócios" no qual Washington não tem influência. No entanto, o Departamento de Estado anunciou que continuaria discutindo com Pequim a liberdade da Internet.   Continuação...