11 de Maio de 2010 / às 13:58 / 7 anos atrás

ANÁLISE-Telefónica vê crise na Europa como oportunidade na Vivo

Por Robert Hetz

MADRI, 11 de maio (Reuters) - Em épocas de crises surgem às vezes oportunidades e isso parece ser conhecido também pela Telefónica, que há tempos tenta convencer a sócia Portugal Telecom a vender sua participação na operadora celular brasileira Vivo, lançadas pelas empresas em conjunto em 2001.

Por esse motivo, segundo alguns analistas, a Telefónica apresentou agora uma oferta de 6,3 bilhões de euros (8,5 bilhões de dólares) para comprar uma participação de 34,8 por cento na operadora que inclui os 31,8 por cento que estão nas mãos da Portugal Telecom.

“A persistente instabilidade no sul da Europa... pode ter levado a Telefónica a dar esse passo, esperando que os acionistas da Portugal Telecom estejam mais dispostos a aceitar a oferta”, disse nesta terça-feira a corretora Iberian Equities.

A Telefónica, que também possui 31,8 por cento da Vivo, há anos afirma que quer obter o controle da operadora brasileira para reforçar sua posição no Brasil. Mas até agora a empresa nunca havia apresentado uma oferta tão suculenta como a que divulgou na noite de segunda-feira, que propõe um ágio de 145 por cento sobre o preço médio das ações da Vivo no último mês.

“A oferta oferece um valor para os acionistas da Portugal Telecom que a empresa não pode conseguir sozinha”, afirma a Telefónica em comunicado enviado aos acionistas da companhia portuguesa, já antecipando-se à oposição do conselho de administração da sócia, que rechaçou a oferta.

A Telefónica ressaltou que a oferta segue de pé até 6 de junho, “data prorrogável em caso de apresentação da proposta aos acionistas da Portugal Telecom”. Entre esses acionistas estão pesos pesados como os bancos portugueses Caixa Geral de Depósitos e Banco Espirito Santo, que controlam conjuntamente 17 por cento da Portugal Telecom.

A Iberian Equities afirmou em relatório que a transação constituirá uma significativa injeção de recursos no sistema financeiro português em um momento de crise e que poderia ser uma tentação adicional para a aceitação da oferta.

“Tampouco podemos esquecer que a Telefónica possui cerca de 10 por cento da Portugal Telecom, o que pode servir de instrumento adicional na negociação”, acrescentou a corretora espanhola.

Nas bolsas, a reação inicial à divulgação da oferta é muito clara. As ações da Portugal Telecom disparavam 8,6 por cento nesta terça-feira, enquanto as ações preferenciais da Vivo abriram em alta de 8 por cento e as ordinárias 31 por cento na BM&FBovespa. Os papeis da Telefónica recuavam 5,7 por cento em Madri diante do eventual desembolso.

Apesar disso, alguns analistas mostram ceticismo sobre as possibilidades de sucesso da oferta.

“A Vivo é um ativo estratégico tanto para a Portugal Telecom quanto para a Telefónica e será difícil chegar a um acordo. Não descartamos que a Telefónica poderá elevar sua oferta”, disse a corretora Renta 4.

ACORDO DESEJÁVEL NO BRASIL

Ante um possível impasse, Pedro Pinto, da corretora portuguesa BPI, sugeriu outra solução:

“(Esta proposta) poderia abrir a porta para uma operação com ações da Telesp (que estão nas mãos da Telefónica)”, disse o analista.

A integração da Vivo com a Telesp, controlada em 89 por cento pela Telefónica, geraria importantes efeitos de escala, maior crescimento e sinergias tanto para a Telefónica quanto para a Portugal Telecom e reforçaria a posição de ambas as empresas ibéricas em um mercado que consideram estratégico, disseram analistas.

Reforçar a posição no Brasil é essencial em um momento em que o magnata mexicano Carlos Slim, rival da Telefónica na América Latina, começou a integração de suas empresas de telefonia fixa e móvel na região para extrair mais crescimento e sinergias.

Ante esse cenário, Robin Bienenstock, analista da Bernstein Research, disse que uma convivência tensa entre Telefónica e Portugal Telecom seria provavelmente o pior cenário possível para todos.

DE OLHO NA TIM BRASIL

Caso a oferta não tenha sucesso com a Portugal Telecom, a Telefónica poderia concentrar-se na TIM Brasil, a operadora celular brasileira da sócia Telecom Italia.

“A Telefónica tem que integrar o negócio fixo e móvel no Brasil, assim tem que comprar a Vivo ou outra operadora móvel no país”, disse Michael Kovacocy, analista da Daiwa.

“Obviamente o primeiro passo é uma oferta pelas ações que não possui na Vivo, mas o próximo passo é tentar tomar o controle da TIM Brasil”, acrescentou. Nesta manhã, as ações da TIM Brasil disparavam também. O papel preferencial subia 6 por cento e o ordinário saltava quase 8 por cento.

“A Telefónica não abandonará o Brasil”, disse Kovacocy.

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