ANÁLISE-Telefónica vê crise na Europa como oportunidade na Vivo

terça-feira, 11 de maio de 2010 10:53 BRT
 

Por Robert Hetz

MADRI, 11 de maio (Reuters) - Em épocas de crises surgem às vezes oportunidades e isso parece ser conhecido também pela Telefónica, que há tempos tenta convencer a sócia Portugal Telecom a vender sua participação na operadora celular brasileira Vivo, lançadas pelas empresas em conjunto em 2001.

Por esse motivo, segundo alguns analistas, a Telefónica apresentou agora uma oferta de 6,3 bilhões de euros (8,5 bilhões de dólares) para comprar uma participação de 34,8 por cento na operadora que inclui os 31,8 por cento que estão nas mãos da Portugal Telecom.

"A persistente instabilidade no sul da Europa... pode ter levado a Telefónica a dar esse passo, esperando que os acionistas da Portugal Telecom estejam mais dispostos a aceitar a oferta", disse nesta terça-feira a corretora Iberian Equities.

A Telefónica, que também possui 31,8 por cento da Vivo, há anos afirma que quer obter o controle da operadora brasileira para reforçar sua posição no Brasil. Mas até agora a empresa nunca havia apresentado uma oferta tão suculenta como a que divulgou na noite de segunda-feira, que propõe um ágio de 145 por cento sobre o preço médio das ações da Vivo no último mês.

"A oferta oferece um valor para os acionistas da Portugal Telecom que a empresa não pode conseguir sozinha", afirma a Telefónica em comunicado enviado aos acionistas da companhia portuguesa, já antecipando-se à oposição do conselho de administração da sócia, que rechaçou a oferta.

A Telefónica ressaltou que a oferta segue de pé até 6 de junho, "data prorrogável em caso de apresentação da proposta aos acionistas da Portugal Telecom". Entre esses acionistas estão pesos pesados como os bancos portugueses Caixa Geral de Depósitos e Banco Espirito Santo, que controlam conjuntamente 17 por cento da Portugal Telecom.

A Iberian Equities afirmou em relatório que a transação constituirá uma significativa injeção de recursos no sistema financeiro português em um momento de crise e que poderia ser uma tentação adicional para a aceitação da oferta.

"Tampouco podemos esquecer que a Telefónica possui cerca de 10 por cento da Portugal Telecom, o que pode servir de instrumento adicional na negociação", acrescentou a corretora espanhola.   Continuação...