Investidor diz que política dos EUA para banda larga é errada

quinta-feira, 13 de maio de 2010 07:29 BRT
 

Por Herbert Lash

NOVA YORK (Reuters) - Para o investidor Mario Gabelli, o acesso universal à banda larga barata é uma ideia boa até que se pergunte quem financiará o projeto. Gabelli, que investe no setor de telecomunicações há anos, afirmou que o problema é se se deve ou não cobrar pelo uso de muita banda e se o tráfego na Internet deve ser priorizado.

"Temos uma política de governo que é correta na ampliação da oferta do que o consumidor quer e quando ele o quer, seja por fio ou sem fio", disse Gabelli em entrevista à Reuters.

"Mas isso é também uma política que diz que não se pode ganhar dinheiro com isso", afirmou o fundador e vice-presidente de investimentos da GAMCO Investors. Gabelli tem um dos melhores históricos de Wall Street, com uma taxa anual de crescimento de 16,3 por cento ao longo de 32 anos.

A ampliação do acesso à Internet rápida para toda a população norte-americana é uma das prioridades do governo Obama.

O plano nacional de banda larga do país, anunciado em abril, melhorará o acesso à Internet e transferirá o controle do espectro liberado pelas redes de televisão que adotaram a tecnologia digital para as operadoras de telefonia móvel, que passam por um crescente mercado de produtos 3G.

Para Gabelli, o presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA, Julius Genachowski, defende os interesses de empresas de Internet, que se beneficiariam com o acesso gratuito à Web.

"É destrutivo. Tem algo de errado", disse Gabelli. Ele acrescentou que está claro que os EUA precisam de mais capacidade para a Internet móvel, mas também está claro que o país irá precisar vender mais banda para aumentar transferência de dados e das provedoras a cabo.

"A pergunta é quem vai fazer ofertas de 100 bilhões de dólares por licenças se, na verdade, não se pode lucrar com isso. E quem vai manter a infra-estrutura?", questionou Gabelli.

A comissão propôs em abril, por unanimidade, focar os subsídios para o setor de telecomunicações na universalização da banda larga apesar de uma recente decisão judicial que questiona a autoridade do órgão regulador sobre a Internet.