SAP paga caro para mudar o jogo e adquirir Sybase

quinta-feira, 13 de maio de 2010 12:29 BRT
 

Por Nicola Leske e Jim Finkle

FRANKFURT/BOSTON (Reuters) - Os planos da SAP para a aquisição da Sybase por 5,8 bilhões de dólares, a fim de acompanhar a rival Oracle na corrida pelos serviços móveis de dados, estão despertando preocupação quanto à possibilidade de que a companhia alemã de software esteja pagando demais.

Pouco mais de três meses depois de assumirem seus novos postos, os co-presidentes executivos Bill McDermott e Jim Hagemann Snabe anunciaram na quarta-feira a segunda maior aquisição nos quase 40 anos de história da SAP, após a compra da Business Objects, em 2008.

A SAP fechou acordo para pagar 65 dólares em dinheiro por ação da Sybase, a quarta maior fornecedora mundial de software de banco de dados --um ágio de 56 por cento com relação ao fechamento das ações da empresa em Nova York na terça-feira.

No mês passado, a Oracle, que costuma realizar muito mais aquisições, assumiu o controle da Phase Forward, a maior produtora de programas que ajudam fabricantes de medicamentos a conduzir testes clínicos, por 685 milhões de dólares, ágio de 30 por cento ante a cotação das ações da empresa naquele momento.

A SAP pagou 4,8 bilhões de euros (6,1 bilhões de dólares) pela Business Objects, ágio de 20 por cento no momento da transação.

As ações da SAP mostravam queda de 2 por cento, para 35,34 euros, no pregão da manhã, uma das mais acentuadas entre as ações do índice alemão DAX, pelas dúvidas dos analistas quanto ao preço salgado da aquisição.

O acordo avalia a Sybase em 24,4 vezes o valor projetado de seu lucro em 2010, de acordo com a Thomson Reuters I/B/E/S StarMine SmartEstimates, acima do múltiplo de 17,4 da SAP mas abaixo do múltiplo médio de 35,4 do setor de software norte-americano.

Abandonando sua estratégia de aquisições tradicionalmente cautelosas, a transação da SAP é vista como um ataque aberto à Oracle, que foi a primeira grande produtora de software a realizar aquisições de forma agressiva, investindo mais de 42 bilhões de dólares para adquirir o controle de cerca de 60 empresas.