Ações da Sony têm maior queda em um ano com decepção do mercado

sexta-feira, 14 de maio de 2010 10:39 BRT
 

Por Kiyoshi Takenaka

TÓQUIO, 14 de maio (Reuters) - As ações da Sony caíram sete por cento nesta sexta-feira, a maior queda em um ano, depois que a fabricante de eletrônicos decepcionou os investidores com uma cautelosa projeção de desempenho. As ações foram pressionadas ainda por maiores preocupações sobre a possibilidade de que o euro possa prejudicar a recuperação da empresa.

A Sony, no passado líder nos setores de eletrônica e videogames com produtos como PlayStation, Walkman e televisores Trinitron, também vem enfrentando dificuldades para reconquistar reputação de empresa inovadora e criadora de produtos de sucesso, o que prejudica suas perspectivas de longo prazo.

O presidente-executivo, Howard Stringer, vem sendo elogiado pelos investidores por cortar boa parte da gordura do grande conglomerado, por meio de uma série de grandes reestruturações executadas desde que o ex-jornalista assumiu o comando da empresa em 2005.

Mas a Sony ficou para trás da Apple nos players portáteis de música e da Nintendo nos videogames, enquanto a Samsung Electronics demonstra estar em categoria separada no que tange à lucratividade.

A margem de lucro operacional da rival sul-coreana foi de oito por cento no ano passado, quatro vezes a prevista para a Sony este ano.

"Parece-me que eles mal estão conseguindo manter sua posição", disse Takeshi Osawa, administrador sênior de fundos na Norinchukin Zenkyoren Asset Management. "No passado, eram eles que desenvolviam produtos novos contra os quais era preciso concorrer... mas a essa altura parece que estão simplesmente lançando produtos genéricos, um depois do outro."

A Sony saiu do vermelho no ano passado por meio de cortes de empregos, fechamento de fábricas e redução nos custos de insumos, e deve quintuplicar seu lucro operacional este ano, para 160 bilhões de ienes (1,7 bilhão de dólares), mas isso fica 25 por cento abaixo das expectativas do mercado.

Nobuyuki Oneda, vice-presidente financeiro da Sony, disse que o potencial impacto da crise da dívida grega não está computado nas projeções. Outra preocupação é o euro mais fraco, já que a Sony realiza um quarto de suas vendas na Europa.