Icann alerta contra interferência da ONU em gestão da Web

terça-feira, 25 de maio de 2010 10:59 BRT
 

Por Alexander Dziadosz

CAIRO, 25 de maio (Reuters) - O presidente da organização monitorada pelos Estados Unidos que se encarrega de supervisionar a concessão de endereços da Internet fez um alerta nesta terça-feira contra propostas de colocá-la sob controle da ONU ou de algum organismo internacional.

A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann), que ocupa posição central no debate sobre quem deveria dirigir a Internet, é o mais perto que existe de uma autoridade central da rede mundial de computadores.

Países como o Brasil argumentaram que a Icann, fundada em 1998 sob a proteção do Departamento do Comércio dos Estados Unidos e que ainda se reporta parcialmente ao governo norte-americano, deveria transferir sua autoridade a uma organização mundial, como as Nações Unidas.

"Se você pensar sobre o ritmo ou velocidade da tecnologia, perceberá que ela é muito mais rápida do que poderia ser acomodado pelas formas tradicionais de desenvolvimento de políticas", disse Rod Beckstrom, o presidente da organização, à Reuters.

O controle estatal multilateral poderia tornar a Icann menos ágil, disse ele, e portanto reduziria a probabilidade de desenvolvimento rápido de tecnologias como os nomes de domínio em árabe que alimentam a demanda crescente da Internet.

"É difícil imaginar qualquer substituto (para o sistema atual) e sinto que posso fazer essa afirmação com alguma objetividade, porque trabalhei para o governo também", disse ele, acrescentando que uma decisão nesse sentido deveria caber ao conselho supervisor da Icann.

Ainda assim, o governo dos EUA concordou em setembro passado com mudanças que implicarão que a Icann não se reportará mais apenas aos EUA, como parte de uma campanha para ampliar a influência dos demais protagonistas mundiais.

O acordo criou uma equipe internacional de revisão que vai monitorar o desempenho da Icann e deve divulgar suas recomendações iniciais até o final do ano. O acordo também inclui normas dirigidas a tornar o grupo mais transparente.

Em 2003, um grupo de países sugeriu que a Icann passasse ao controle da União Internacional de Telecomunicações, uma agência da ONU, mas a transferência não foi realizada devido à avaliação de que o sistema de endereços da Internet funciona melhor sob a gestão do setor privado.

Um contrato que dá à Icann autoridade sobre boa parte da estrutura básica da Internet, como a alocação de endereços IP, estará sujeito a revisão no ano que vem.