Portugal Telecom: parceria com Telefónica segue se oferta falhar

quinta-feira, 10 de junho de 2010 16:44 BRT
 

Por Sérgio Gonçalves

LISBOA (Reuters) - A joint-venture entre a Portugal Telecom e a Telefónica que controla a brasileira Vivo não ficará comprometida caso os acionistas do grupo de telecomunicações português rejeitem a oferta da espanhola para comprar sua participação, segundo informou a empresa em comunicado.

A Portugal Telecom, apesar de realçar que não constitui uma recomendação, lembra que seu Conselho de Administração já considerou que a oferta de 6,5 bilhões de euros feita pela Telefónica para comprar a posição da Portugal Telecom na Vivo "não reflete o valor estratégico" da empresa brasileira.

"A joint-venture não fica comprometida", afirmou a Portugal Telecom, em trecho do documento que detalha as implicações de da rejeição à oferta da Telefónica.

A Telefónica quer comprar os 50 por cento que lhe faltam na Brasilcel, holding que controla cerca de 60 por cento da Vivo --maior operadora de telefonia móvel do Brasil--, e que tem sido o principal motor de crescimento do grupo português.

A atual proposta da Telefónica representa uma aumento de 14 por cento ante os 5,7 bilhões de euros da oferta inicial, rejeitada pela Portugal Telecom no mês passado.

Em 30 de junho, a Assembleia Geral de acionistas da Portugal Telecom irá deliberar sobre a atual oferta da Telefónica ou sobre uma nova proposta a um preço eventualmente superior que seja oferecido até lá.

"A decisão será tomada por maioria simples das ações presentes na reunião. Não existe requisito de quorum para a assembleia", segundo a Portugal Telecom.

Ecoando recentes declarações de seu presidente-executivo, Zeinal Bava, a Portugal Telecom destacou que a proposta da Telefónica não reflete o valor estratégico da Vivo, uma vez que "o mercado brasileiro de telecomunicações oferece um grande potencial de crescimento".

Além disso, o grupo português frisou que a Vivo "é operadora líder no setor das comunicações móveis e apresenta um potencial de valorização decorrente do aumento da migração de telefonia fixa-móvel e da penetração da banda larga móvel".