Internet e tecnologia mudam comércio de obras de arte

segunda-feira, 21 de junho de 2010 13:30 BRT
 

Por Bernd Debusmann Jr.

NOVA YORK, 21 de junho, 10h53 (Reuters) - Quando Philip Mould começou a trabalhar como marchand profissional 22 anos atrás, o trabalho de compra e venda de obras de arte de alto nível era limitado a um grupo restrito de historiadores experientes que vasculhavam o mundo em busca de obras-primas.

Mas o mundo atemporal da arte mudou na era da Internet e da alta tecnologia. Mould e sua equipe antes se limitavam a examinar 15 a 20 obras por dia, mas hoje podem avaliar o valor de entre 50 e 100 obras diariamente.

"Há mais possibilidades, mais descobertas", disse ele. "Mas também há mais concorrência. Existe uma nova geração que curte a adrenalina e compra indiscriminadamente."

O novo livro de Mould, "The Art Detective", trata do mundo antes desconhecido mas hoje amplamente acessível da negociação e restauração de obras de arte. "O conhecimento está mais democratizado hoje", diz ele.

No passado, ele tinha que usar fotos de baixa qualidade para avaliar uma obra de arte oferecida por um vendedor. Hoje ele pode examinar cada centímetro de um quadro de perto, usando imagens digitais modernas.

O subtítulo de seu livro é "Falsificações, fraudes, achados e a busca por tesouros perdidos" e uma de suas melhores histórias é a descoberta de um autorretrato de Rembrandt.

Atribuída originalmente a um seguidor de Rembrandt, a tela foi avaliada no passado como valendo entre 2 mil e 4 mil dólares. Mais tarde, tendo sido autenticada como autorretrato perdido, foi vendida por 5,2 milhões de dólares em um leilão, e hoje é estimada em 40 milhões de dólares.

Especialista em retratos britânicos, Mould é apresentador do programa de TV "Antiques Roadshow", em que especialistas avaliam o valor de antiguidades compradas na Grã-Bretanha. O programa já foi reproduzido em vários países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Austrália e Alemanha.   Continuação...