Portugal Tel questiona venda de participação da Telefónica

quinta-feira, 24 de junho de 2010 09:13 BRT
 

LISBOA (Reuters) - A Portugal Telecom afirmou que a venda de participação de 8 por cento na empresa pela Telefónica "não é uma venda efetiva" porque foi feita via operação de troca reversível de ativos.

"Isto não se caracteriza como uma venda efetiva. Penso que é mais um esquema financeiro através de 'equity swap'", afirmou o presidente-executivo da Portugal Telecom, Zeinal Bava.

Esse tipo de operação envolve acordos reversíveis nos quais ações são mantidas por instituições financeiras mediante pagamento de uma comissão.

Uma porta-voz da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão que regula os mercados de Portugal, afirmou que a autoridade está "analisando com urgência" os acordos para saber se a operação permite que os direitos de voto da Telefónica sejam transferidos para os compradores na assembleia de acionistas da Portugal Telecom marcada para 30 de junho.

Nesta data, os acionistas da Portugal Telecom decidirão se aceitam a oferta de 6,5 bilhões de euros (8,7 bilhões de dólares) feita pela Telefónica para comprar a participação detida pela sócia portuguesa na operadora celular brasileira Vivo.

Analistas consideraram a venda como uma maneira da Telefónica transferir seus direitos de voto para aliados confiáveis de modo a conseguir apoio suficiente para sua oferta. A empresa espanhola provavelmente não teria autorização para votar na reunião por questão de conflito de interesses.

A Telefónica anunciou na quarta-feira que vendeu 8 por cento de participação na Portugal Telecom, mantendo 2 por cento de presença na empresa. A empresa espanhola informou que a operação foi feita por meio de três acordos separados de troca de ativos.

Nesta quinta-feira, a operadora espanhola disse que não existe nenhum acordo para a recompra de ações da Portugal Telecom depois da venda na véspera.

"A Telefónica não tem nenhuma opção de recompra de ações da Portugal Telecom", disse um porta-voz da empresa.

(Por Filipa Cunha Lima)