Portugal orienta banco a votar contra Telefónica

sexta-feira, 25 de junho de 2010 09:10 BRT
 

Por Filipa Cunha Lima e Daniel Alvarenga

LISBOA (Reuters) - O governo de Portugal orientou o banco estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD) a votar contra a oferta da Telefónica pela participação na operadora celular brasileira Vivo detida pela Portugal Telecom na assembleia de acionistas da tele portuguesa marcada para 30 de junho.

O banco estatal é o quarto maior acionista da Portugal Telecom, com 7,3 por cento de participação.

"O governo deu orientações à Caixa Geral de Depósitos para votar contra na próxima assembleia da Portugal Telecom, esta é a posição do governo", disse o primeiro-ministro português, José Sócrates, no Parlamento do país.

Os acionistas da Portugal Telecom decidirão na assembleia se aceitam a oferta de 6,5 bilhões de euros feita pela Telefónica pela participação na Vivo detida pela empresa. A administração da operadora portuguesa já se manifestou contra a proposta por entender que ela não reflete o valor estratégico da Vivo para a companhia espanhola.

"Para o governo, o interesse estratégico do país diz respeito à dimensão e escala da Portugal Telecom. O mais importante é termos uma empresa de tecnologia da informação e comunicação que tenha uma dimensão internacional", disse Sócrates.

Dois outros acionistas portugueses já mostraram intenção de também votarem contra a oferta: o Banco Espírito Santo de Investimento (Besi), subsidiária do DES, que é o segundo maior acionista da Portugal Telecom, com cerca de 8 por cento, e a Ongoing, quinto maior investidor, com participação de 6,7 por cento.

O bloco de acionistas portugueses da Portugal Telecom é de apenas 36 por cento, com os restantes 64 por cento em mãos de investidores internacionais.

Analistas preveem uma votação disputada. A assembleia não prevê quórum mínimo e a Telefónica precisa assegurar apenas uma minoria simples, ou seja, 50 por cento dos votos mais um.   Continuação...