29 de Junho de 2010 / às 22:15 / 7 anos atrás

Telefónica eleva a 7,15 bi de euros oferta por Vivo

MADRI/SÃO PAULO (Reuters) - Em um último esforço para tentar assegurar a compra do controle da Vivo, a Telefónica elevou pela segunda vez, agora para 7,15 bilhões de euros, a oferta pela fatia da maior operadora móvel do Brasil nas mãos da Portugal Telecom.

Telefónica e Portugal Telecom dividem há anos a holding Brasilcel, acionista majoritária da Vivo. Os espanhóis desejam integrar os negócios em celular com os ativos da Telesp, sua empresa de telefonia fixa no mercado brasileiro com atuação no Estado de São Paulo.

Os acionistas da Portugal Telecom irão se reunir na quarta-feira para deliberar sobre a proposta da Telefónica. O Conselho de Administração do grupo português tinha se posicionado contrário à venda da Vivo, por considerar estratégica a presença no Brasil.

Inicialmente, a Telefónica ofereceu, em maio, 5,7 bilhões de euros à Portugal Telecom pela Vivo, cifra que foi imediatamente rejeitada pelo Conselho do grupo português.

No começo de junho, os espanhóis subiram o valor para 6,5 bilhões de euros. Ainda reticente à venda, o Conselho da Portugal Telecom convocou uma assembleia de acionistas para tratar do assunto.

A mais recente proposta --de 7,15 bilhões de euros-- é 25 por cento superior ao lance original.

A disposição da Telefónica em consolidar seus negócios no Brasil ocorre após a chegada de um novo competidor no mercado brasileiro de telecomunicações.

Em novembro passado, a francesa Vivendi assegurou a compra do controle da GVT, com forte atuação na região Sul do país nos mercados de telefonia fixa e banda larga. Curiosamente, a Telefónica travou uma feroz disputa com a Vivendi pela GVT, mas acabou fracassando.

A integração de ativos de telefonia móvel e fixa é considerada essencial pela Telefónica para ganho de escala e oferta de pacotes integrados de serviços de telecomunicações.

O grupo espanhol tem presença em 25 países e o Brasil é o único mercado em que os ativos de telefonia fixa e móvel não estão plenamente integrados.

CONFLITO DE INTERESSE

A Telefónica tinha participação de 10 por cento no capital da Portugal Telecom até alguns dias atrás.

Como provavelmente seria impedida de votar na assembleia do grupo português sobre Vivo por conflito de interesse, a espanhola se desfez de oito por cento da fatia, mas a comissão de valores mobiliários de Portugal disse considerar que a Telefónica ainda é a proprietária das ações.

A Telefónica precisa do apoio de 50 por cento mais 1 dos presentes na assembleia da Portugal Telecom para assegurar a compra da parcela da Vivo que não possui. De qualquer forma, o governo português detém uma "golden share" da Portugal Telecom, que lhe dá poder de veto em decisões estratégicas.

A união da Telesp e da Vivo daria origem à maior empresa de telecomunicações do Brasil. Se a Telefónica conseguir assumir o controle da Vivo, ainda não se sabe qual será o modelo de reorganização dos ativos do grupo espanhol no mercado brasileiro.

Há pouco mais de uma semana, uma fonte disse à Reuters que a Telesp pode ser o veículo de compra da participação na Vivo detida pela Portugal Telecom e que um grupo de cerca de cinco bancos disponibilizou 30 bilhões de reais para financiar uma eventual operação.

Se Telesp e Vivo forem integradas, a empresa combinada teria um Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) na casa dos 10 bilhões de reais por ano, com base nos resultados de ambas as companhias no primeiro trimestre.

Reportagem de Andrés González e Cesar Bianconi

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