Governo português barra venda da Vivo à Telefónica

quarta-feira, 30 de junho de 2010 17:55 BRT
 

Por Elisabete Tavares e Filipa Lima

LISBOA/MADRI (Reuters) - Em uma decisão controversa, o governo português vetou nesta quarta-feira a venda da participação da Portugal Telecom na operadora móvel brasileira Vivo para a Telefónica por 7,15 bilhões de euros. Agora, o caso deve parar na Justiça europeia.

Para bloquear o negócio, Lisboa lançou mão de ações especiais que possui na Portugal Telecom, conhecidas como "golden share" e que dão direito de veto em assuntos estratégicos.

O governo do premiê José Sócrates foi contra a maioria dos que participaram da assembleia extraordinária de acionistas da Portugal Telecom: 74 por cento dos presentes na reunião eram favoráveis à operação.

Para a Telefónica, que há anos divide o controle da Vivo com a Portugal Telecom por meio de uma joint-venture igualitária na holding Brasilcel, a decisão do governo português é ilegal. De acordo com o grupo espanhol, o ato português fere "o direito português e o direito da União Europeia".

A Telefónica assinalou que o próprio Conselho da Portugal Telecom manifestou a improcedência do uso da golden share.

Os espanhóis enxergam na Vivo a chance de consolidar negócios no mercado brasileiro, obtendo sinergias e fortalecendo a oferta de serviços. Com presença em 25 países, apenas no Brasil o grupo espanhol não tem ativos de telefonia fixa e móvel integrados.

A Telefónica controla a Telesp, concessionária de telefonia fixa no Estado de São Paulo. A combinação de Telesp e Vivo formaria um grupo com Ebitda --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação-- de cerca de 10 bilhões de reais por ano.

No passado, a Telefónica já tentou unir Telesp e Vivo, por meio de uma fusão em que a Portugal Telecom se transformaria em acionista minoritária de um grupo de maior porte. Mas os portugueses rejeitaram a ideia.   Continuação...

 
<p>Sede da Vivo em S&atilde;o Paulo. O governo portugu&ecirc;s usou suas 500 "a&ccedil;&otilde;es douradas" na Portugal Telecom para vetar a venda da participa&ccedil;&atilde;o da operadora portuguesa na Vivo para a Telef&oacute;nica, apesar da maioria dos acionistas da empresa portuguesa terem votado a favor da oferta de 7,15 bilh&otilde;es de euros da espanhola, afirmara acionistas.30/06/2010.REUTERS/Nacho Doce</p>