Portugal Telecom nega intenção de compra da Oi

segunda-feira, 5 de julho de 2010 07:39 BRT
 

LISBOA (Reuters) - A Portugal Telecom não está estudando qualquer operação de aquisição ou fusão no Brasil, incluindo com o grupo brasileiro de telecomunicações Oi, disse o grupo português, negando notícias nesse sentido.

Por meio de comunicado divulgado na Comissão de Valores Mobiliários de Portugal (CMVM), a empresa afirmou que "não tomou nenhuma iniciativa e não definiu nenhum coordenador para negociar" uma fusão ou compra de uma participação na Oi, maior empresa de telefonia genuinamente brasileira.

"O Conselho de Administração da Portugal Telecom esclarece que não está estudando especificamente qualquer operação concreta de aquisição ou fusão no mercado brasileiro", disse a empresa em comunicado publicado no site da CMVM.

Em 30 de junho, o governo português usou sua golden share na Portugal Telecom para vetar a venda da participação do grupo português na brasileira Vivo para a Telefónica na assembleia do grupo português, contrariando a maioria dos acionistas, que aprovou a venda por 7,15 bilhões de euros.

No sábado, a imprensa noticiou que acionistas da Portugal Telecom estariam negociando a compra da Oi para convencer o governo a dar o aval à venda da participação na Vivo.

O jornal Diário Económico publicou que "os principais acionistas da Portugal Telecom estariam estudando a possibilidade de uma fusão com a Oi... a fim de encontrar uma alternativa no Brasil que permita obter 'sinal verde' do governo português à venda da Vivo".

O jornal O Globo noticiou também no sábado que "os principais acionistas da Portugal Telecom, como o Banco Espírito Santo (BES) e a Ongoing, do empresário Nuno Vasconcelos, estão negociando com o governo português a retirada do veto feito pelo primeiro-ministro José Sócrates à venda de parte da Vivo à Telefónica".

O Globo, citando fontes que acompanham as conversas, apontou que as empresas portuguesas estariam mostrando seus planos para o Brasil, que incluem entrar no bloco de controle da Oi.

A Telefónica, que há anos divide o controle da Vivo com a Portugal Telecom através da joint-venture Brasilcel, considerou ilegal o uso da golden share por Lisboa e ampliou o prazo de sua oferta para 16 de julho, uma semana após a decisão prevista da Justiça sobre a legalidade do uso de golden share.

Neste domingo, o premiê português, José Sócrates, afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País que a "Telefónica não tem o direito natural de ficar com a Vivo".

"Nunca pensei que utilizaria estes direitos especiais (golden share do governo na Portugal Telecom), porque sempre acreditei que a Telefónica teria o bom senso de considerar os interesses estratégicos e de negociar com a administração da Portugal Telecom", afirmou Sócrates.