Ficar na China não basta para o Google, ações seguem atraentes

segunda-feira, 12 de julho de 2010 09:56 BRT
 

Por Jennifer Saba e Alexei Oreskovic

NOVA YORK/SAN FRANCISCO (Reuters) - O sucesso do Google em manter presença no mercado chinês pode não ser suficiente para aliviar as preocupações de Wall Street quanto à capacidade do gigante de buscas em manter a velocidade de ascensão sustentada nos últimos anos.

Mas as ações do Google, consideradas por muitos como supervalorizadas em grande parte dos últimos 12 meses, começam a parecer atraentes, depois de uma queda de 26 por cento este ano, segundo analistas.

"Acreditamos que o Google seja ótimo investimento em longo prazo, mas não devido à China. A China é provavelmente a região em que (as ações) mais enfrentam dificuldades," disse Ryan Jacob, do Jacob Internet Fund, que detém ações tanto do Google quanto de seu maior rival na China, o Baidu.

"Fora da China, o Google é um negócio mundial forte com retornos extremamente elevados e posição invejável de mercado. E a avaliação atual de suas ações parece baixa," acrescentou.

As ações do Google caíram em 26 por cento até agora este ano, bem acima dos 4 por cento de queda no índice composto da Nasdaq. A StarMine, do grupo Thomson Reuters, estima que o preço atual das ações do Google implique ritmo anualizado de crescimento na receita anual por ação de apenas 10,3 por cento ao ano, em termos compostos e por prazo de 10 anos. A média histórica de crescimento na receita por ação do Google para os últimos cinco anos foi de 69,4 por cento.

Além da disputa com o governo chinês quanto à censura, o que colocou em risco o futuro da empresa no maior mercado mundial de Internet por número de usuários, o Google também enfrenta desafios para elevar sua receita em três áreas essenciais: publicidade em celulares, publicidade convencional e o site de vídeos YouTube, dizem analistas.

O Google precisa de novas fontes de receita porque será difícil expandir de maneira significativa a publicidade vinculada a buscas, dada sua fatia de mais de 60 por cento no mercado de buscas norte-americano. Também existem temores de reversão na recuperação econômica mundial, dado o alto desemprego nos Estados Unidos e a crise da dívida europeia.

Os problemas da empresa na China estão desviando seu foco do continente europeu, que merece muito mais atenção, de acordo com Jason Helfstein, analista da Oppenheimer.   Continuação...