"Serviço de encontros" pode acelerar pesquisas sobre Alzheimer

segunda-feira, 12 de julho de 2010 19:59 BRT
 

Por Julie Steenhuysen

HONOLULU (Reuters) - Um novo serviço pela Internet que direciona vítimas do mal de Alzheimer para pesquisas clínicas pode ajudar a resolver um dos grandes gargalos no desenvolvimento de novos medicamentos, a falta de pessoas em quem testá-los, disseram pesquisadores dos EUA na segunda-feira.

A Associação do Alzheimer estima que estejam em andamento atualmente mais de cem testes clínicos com drogas contra a demência, principalmente o mal de Alzheimer, e que dezenas de drogas experimentais serão testadas em breve. Mas há poucos interessados em participar dos estudos.

"Vamos precisar de mais de 10 mil pacientes com Alzheimer nos próximos cinco anos para preencher só os testes já planejados", disse Reisa Sperling, do Hospital Brigham and Women e do Hospital Geral de Boston, durante entrevista num encontro da Associação do Alzheimer no Havaí.

Ela disse que os laboratórios levam em média um a dois anos para arregimentar suficientes pacientes para os testes clínicos iniciais e intermediários. "Se leva 18 meses para arregimentar e os testes duram 18 meses, são três anos para cada droga", disse ela. "Isso é muito. Significa que nesse ritmo não conseguiremos testar todas essas drogas até 2030, quando teremos o triplo de pessoas com o mal de Alzheimer."

A Associação do Alzheimer estima que, até 2050, o gasto com o atendimento com norte-americanos maiores de 65 anos vítimas da doença aumentará mais de seis vezes, superando 1 trilhão de dólares por ano.

Os medicamentos atuais conseguem administrar os sintomas, mas não há tratamento que impeça a progressão do mal de Alzheimer, que começa com uma vaga perda de memória e confusão, antes de evoluir para a demência total, seguida de morte.

"Muitos centros médicos, laboratórios farmacêuticos e universidades no mundo todo estão tentando desenvolver terapias modificadoras da doença", disse Ronald Petersen, da Clínica Mayo, de Rochester (Minnesota), que preside o conselho consultivo médico-científico da Associação do Alzheimer.

"A maior barreira é o recrutamento de um número adequado de sujeitos", disse ele numa entrevista coletiva.   Continuação...