Telefónica retira oferta por parte da Portugal Telecom na Vivo

sábado, 17 de julho de 2010 14:22 BRT
 

Por Nigel Davies

MADRI (Reuters) - A empresa de telecomunicações espanhola Telefónica retirou sua oferta pela fatia da Portugal Telecom na companhia brasileira de telefonia móvel Vivo neste sábado, rejeitando o pedido da empresa portuguesa por mais tempo para discutir o negócio e preparando uma batalha legal sobre o futuro da Vivo.

A Portugal Telecom havia pedido mais tempo para se chegar a um acordo, mas a Telefónica perdeu claramente a paciência depois que acionistas da Portugal Telecom votaram a favor da oferta de 7,15 bilhões de euros pela Vivo no último mês, mudança que, no entanto, foi anulada pelo governo português.

"A Telefónica anuncia que, após o Conselho da Portugal Telecom não ter aceitado a oferta dentro do prazo estabelecido, a oferta foi descartada", disse a empresa espanhola.

A recusa em dar à Portugal Telecom mais tempo pode sinalizar que a Telefónica visa comprar ações com free-float da Vivo na BM&FBovespa, mas primeiramente terá de buscar uma decisão legal para dissolver a Brasilcel, joint-venture que a companhia espanhola e a Portugal Telecom possuem, que controla 60 por cento da Vivo, disseram analistas.

"A decisão pode ser tomada em alguns meses, mas a Telefónica provavelmente decidiu que a opção é melhor do que ser efetivamente chantageado pelo governo português após os próprios acionistas da Portugal Telecom reconhecerem que é uma oferta muito boa", disse um analista sênior de telecomunicações em Madri, que pediu para não ser identificado.

A Telefónica está disputando o controle da Vivo há anos, com o objetivo de unir a unidade ao negócio de linha fixa da Telesp no Brasil, produzindo 2 a 4 milhões de euros em sinergias, de acordo com analistas, e dando um passo mais firme no mercado brasileiro, cujo crescimento tem sido acelerado.

A companhia enfrenta uma competição acirrada de sua maior concorrente, a America Movil de Carlos Slim, que já integrou seus negócios de linha fixa e móvel.

O controle total da Vivo pode contrabalançar o impacto da queda das receitas dos maiores e mais desenvolvidos negócios da Telefónica na Europa.   Continuação...