5 de Agosto de 2010 / às 18:32 / em 7 anos

Oferta por Net fica aquém do previsto por maioria dos analistas

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - A oferta da Embratel, do bilionário mexicano Carlos Slim, pela Net ficou abaixo do valor justo das ações preferenciais da maior empresa de TV paga do Brasil, ainda que tenha sido suficiente para impulsionar o preço dos papéis na Bovespa nesta quinta-feira.

Vários analistas tinham preço-alvo para a ação preferencial da Net acima dos 23 reais apresentados pela Embratel em oferta pública de aquisição revelada nesta manhã, uma operação que pode chegar a 4,58 bilhões de reais considerando adesão de todos os acionistas da Net.

Para Slim, a compra da Net é fundamental para integração de seus ativos no Brasil. Além da presença na Net e Embratel, ele é dono da operadora móvel Claro no país.

Conforme relatórios obtidos pela Reuters, dos preços-alvos de sete corretoras para a ação da Net, apenas o da Link era de 23 reais. Os demais eram de 24 reais a quase 30 reais.

“Vinte e três reais é pouco, um grande desconto em relação a pares globais. A Net vale mais”, segundo o analista Carlos Sequeira, do BTG Pactual. “Se a Net fosse avaliada em linha com concorrentes globais, um preço justo seria de 28 reais”, acrescentou Sequeira, ele próprio com preço-alvo “relativamente conservador” de 25 reais para Net.

O analista do BTG estima aceitação de até um terço dos acionistas minoritários da Net à oferta. Com visão parecida e apostando em 28 reais como preço correto para a ação da Net, a corretora Ativa acredita ser possível que a adesão à oferta “não seja de 100 por cento”.

UBS e Citi tinham ambos 24 reais de valor potencial para a ação da Net. Pouco após a publicação do fato relevante pela Embratel tornando pública sua oferta, o analista Tomás Lajous, do UBS, cortou o preço-alvo para os mesmos 23 reais. O analista James Rivett, do Citi, afirmou que a proposta parece baixa, embora seja oportunidade de se desfazer das ações da Net.

A analista Beatriz Battelli, da Brascan Corretora, é a mais otimista, com preço-alvo de 29,57 reais para a ação da Net. Em relatório, ela levanta a possibilidade de elevação do preço apresentado pela Embratel, “com o objetivo de aumentar a aceitação dos acionistas”.

Já a Link destoa das demais corretoras, ao considerar justa a proposta pela Net e afirmar que “são grandes as chances de uma elevada adesão” dos minoritários. “Com a provável futura redução de liquidez e com preço da oferta em linha com nosso preço-alvo, recomendamos a adesão.”

As ações preferenciais da Net avançavam 13,5 por cento às 14h59, para 22,70 reais. Na máxima até esse horário, os papéis chegaram a subir quase 15 por cento, a 22,95 reais.

Segundo fato relevante da Embratel, sua oferta representa um prêmio de 23,1 por cento sobre a média de preços da ação da Net nos últimos 30 pregões na bolsa paulista. O valor da oferta será pago à vista e a operação é intermediada pelo Itaú BBA.

SEM CONTROLE DIRETO

Slim já tem presença no capital votante da Net, mas a legislação o impede de ter o controle --empresas de TV por assinatura no Brasil não podem ter como acionista majoritário um estrangeiro, mas um projeto de lei pode mudar isso.

A GB Empreendimentos e Participações tem 51 por cento das ações ordinárias da Net. Nessa holding, a Telmex, de Slim, tem 100 por cento de participação sem direito a voto e 49 por cento do capital votante. As Organizações Globo, da família Marinho, detêm 51 por cento do capital votante da GB --caracterizando, portanto, controle nacional da Net.

Além disso, a Embratel possui 35,8 por cento das ações ordinárias e 5,4 por cento das preferenciais da Net.

O analista Lajous, do UBS, acreditava que Slim esperaria pela mudança na lei brasileira antes de lançar uma proposta de compra das ações da Net, mesmo pelos papéis sem direito a voto. “O anúncio vem bem antes do esperado e é surpreendente.”

Para Rivett, do Citi, a oferta tem um caráter oportunista. A ação da Net encerrou 2009 valendo 24 reais e acumulava queda expressiva no acumulado de 2010.

“Também é um sinal de que a Embratel vê mudanças no curto prazo nas restrições ao capital estrangeiro no controle (de empresas de TV por assinatura)”, afirmou o analista do Citi.

Reportagem adicional de Paula Arend Laier; Guillermo Parra-Bernal e Silvio Cascione

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