Um monólogo para que a Apple mude suas formas de produção

sexta-feira, 27 de agosto de 2010 10:28 BRT
 

Por Rina Chandran

MUMBAI, 27 de agosto (Reuters Life!) - Um grande contador de histórias que se define como fã da Apple dificilmente poderia ser descrito como advogado convincente de mudanças sociais.

Mas Mike Daisey, cujo mais recente monólogo se concentra no que ele define como o lado escuro dos prestigiados aparelhos da Apple, espera conseguir pressionar o presidente-executivo Steve Jobs para que este lute por melhores condições de trabalho nas fábricas da China, onde a maioria dos produtos da Apple são montados.

O monólogo de duas horas de duração, intitulado "A Agonia e o Êxtase de Steve Jobs" é em parte elogio e em parte crítica à Apple e a Jobs.

Vestido de preto --uma citação ao suéter preto e jeans que são a marca registrada de Jobs--, Daisey se sentou em uma mesa em um palco vazio, em Mumbai, esta semana, gesticulando ao longo de seu monólogo repleto de termos chulos, mal parando para enxugar o suor do rosto ou tomar goles d'água.

Daisey, aclamado por monólogos como "Great Man of Genius" e "21 Dog Years," faz o papel de um empresário norte-americano que está visitando a Foxconn Technology, em Shenzhen, que atraiu atenção internacional depois de uma sequência de suicídios de operários.

Os críticos atribuem a responsabilidade pelos suicídios às condições de trabalho estressantes nas fábricas do grupo, que emprega quase 800 mil trabalhadores.

O monólogo de Daisey, jornalístico e autobiográfico, é ao mesmo tempo hilário e comovente. Ele admite sua obsessão pelos aparelhos da Apple, como iPad e iPhone, mas critica o ambiente de trabalho cuja criação dizem ter sido forçada pela globalização.

"Nós, como fãs da Apple, e o Ocidente somos cúmplices nesse ambiente de trabalho difícil. A responsabilidade também cabe a nós, e não devemos tentar escapar desse fato," diz.

Daisey aponta que Jobs não é um homem insensato ou intransigente, ressaltando o fato de que ele fez da Apple uma das empresas de tecnologia mais ecológicas do planeta, após constatar que ela poluía demais, e por isso pode ser persuadido a brigar por mudanças nas fábricas em Shenzhen.

 
<p>Cliente deixa loja da Apple em Londres. Um grande contador de hist&oacute;rias que se define como f&atilde; da Apple dificilmente poderia ser descrito como advogado convincente de mudan&ccedil;as sociais.07/08/2010.REUTERS/Suzanne Plunkett</p>