RIM pensa no futuro, mas persistem desafios na Índia e outros

sexta-feira, 27 de agosto de 2010 15:55 BRT
 

Por Alastair Sharp

TORONTO (Reuters) - A Research in Motion (RIM), enfrentando desafios tanto de rivais quanto de governos ao seu crescimento e ao seu nicho de mercado nos serviços seguros de e-mail, está se preparando para uma longa batalha na qual pode vir a sair derrotada, em um terreno que não para de mudar.

O celular inteligente BlackBerry, da companhia canadense, costumava ser considerado como o paradigma das comunicações empresariais seguras.

Mas a fatia de mercado da empresa na América do Norte encolheu à medida que alguns clientes começaram a relaxar suas especificações de segurança e permitir que seus funcionários adotassem aparelhos rivais como o iPhone da Apple ou celulares acionados pelo sistema operacional Android do Google.

E o novo BlackBerry Torch, o modelo dotado de tela de toque lançado pela RIM como possível rival do iPhone, foi recebido sem grande entusiasmo. Um outro desafio é o esforço da Índia e de outros países para ampliar o acesso de suas autoridades aos serviços de e-mail e mensagens instantâneas do BlackBerry.

"A Apple e o Android mudaram o mundo criado pela RIM", disse o presidente da consultoria de telecomunicações SeaBoard Group, Iain Grant. "Mas, na verdade, estão mais expandindo esse universo que explorando o mercado já estabelecido."

A RIM lançou o Torch com alarde incomum, este mês, tentando revigorar sua mensagem junto aos consumidores, em meio à redução nas distinções entre os aparelhos de comunicações usados para o trabalho e para o lazer.

Mas o lançamento ruidoso não despertou nem mesmo uma fração do entusiasmo gerado pelos lançamentos da Apple, e ninguém esperou horas em fila para adquirir o produto nas lojas da marca --aliás, a RIM não opera lojas próprias.

O Torch, que combina o conhecido teclado da RIM com uma tela de toque, mais avançada, e um sistema operacional atualizado, pode ganhar terreno lentamente, e se equiparar aos concorrentes em lugar de superá-los. Mas não será uma revolução à maneira da Apple.

Para acompanhar os rivais, a RIM adquiriu a Cellmania, que criava lojas virtuais para aplicativos, a fim de reformular o seu BlackBerry App World, cujos nove mil aplicativos disponíveis são apequenados pelos mais de 200 mil que a Apple oferece.