União Europeia planeja investigar modems chineses, dizem fontes

terça-feira, 31 de agosto de 2010 11:00 BRT
 

Por Juliane von Reppert-Bismarck

BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia está se preparando para investigar se a China está subsidiando deslealmente os fabricantes de modems sem fio, a mais recente ação europeia para defender o setor de alta tecnologia do continente contra o avanço da participação de mercado do país asiático.

A Comissão Europeia informou aos países membros que deseja investigar o setor e tem até a metade de setembro para lançar um estudo abrangente. Uma decisão como essa causaria ainda mais pressão sobre o relacionamento comercial já tenso entre a União Europeia e a China.

O desejo de investigar da Comissão foi causado por uma queixa da Option, a única produtora europeia de aparelhos para conexão sem fio à Internet, e fornecedora de modems a gigantes das telecomunicações, como Vodafone e Telefonica.

De acordo com a queixa da Option, que a Reuters examinou, os produtores chineses de modems recebem subsídio governamental direto, empréstimos a baixo custo e financiamento estatal a pesquisa e desenvolvimento, como parte dos esforços chineses para substituir suas exportações de baixa tecnologia por uma posição dominante no mercado mundial de telecomunicações.

"As políticas do governo da China têm por objetivo reforçar a posição das empresas do país nos setores de telecomunicações e tecnologia da informação, com o propósito expresso de torná-las grandes concorrentes no mercado mundial," afirma a queixa.

A China exportou cerca de 25 milhões de modems sem fio --usados para acesso à Internet em computadores portáteis e de mesa--, no valor de 1,25 bilhão de euros (1,6 bilhão de dólares), em 2009. As exportações chinesas responderam por 90 por cento dos modems importados pela Europa, de acordo com cálculos da União Europeia.

A Comissão tem prazo até a metade de setembro para começar uma investigação com a duração de até 13 meses, que poderia resultar na imposição de pesadas tarifas de importação válidas por cinco anos. Os países membros da União Europeia terão de expressar oposição ou aprovar tacitamente o plano da Comissão ainda esta semana, de acordo com pessoas próximas ao caso.