Geração Facebook se equipa para monitorar eleição na Nigéria

quarta-feira, 8 de setembro de 2010 10:45 BRT
 

Por Yinka Ibukun

LAGOS (Reuters) - Os jovens nigerianos familiarizados com a tecnologia estão se preparando para usar BlackBerries, celulares e serviços de redes sociais como o Twitter e Facebook a fim de fiscalizar as eleições de janeiro, em um esforço para reprimir a fraude eleitoral.

Eleições anteriores no mais populoso dos países africanos foram tão prejudicadas por fraudes e intimidação de eleitores que observadores eleitorais as classificaram como não confiáveis. Desta vez, a nova tecnologia pode tornar certas formas de trapaça mais difíceis.

O presidente Goodluck Jonathan, que ainda não declarou se disputará a reeleição, afirmou que organizar eleições confiáveis é uma prioridade, mesmo que reste pouco tempo para uma reforma muito necessária no sistema de registro eleitoral.

Um grupo de criadores de software chamado Wangonet --ou rede de ONGs da África Ocidental-- está trabalhando em um aplicativo que registra informações enviadas por SMS, e-mail ou Internet, via celulares, para criar um mapa das áreas problemáticas.

O projeto nigeriano foi inspirado pelo Ushahidi, um site desenvolvido inicialmente no Quênia para mapear a violência pós-eleitoral em 2008, e mais tarde utilizado em outros países, para tarefas como ajudar as equipes de emergência depois do terremoto na China e das inundações no Paquistão.

A plataforma opera por meio de "crowdsourcing" --ou seja, agrega e organiza dados enviados por usuários públicos.

"Acreditamos que, ao armarmos uma nova geração de nigerianos com ferramentas de mídia social e redes, os 105 milhões de nigerianos com idade de menos de 35 anos podem ser motivados a se envolver diretamente e a questionar o sistema", disse Tunji Lardner, fundador da Wangonet.

A manipulação de eleições é problema tão comum na Nigéria que muitos eleitores mais jovens, desiludidos, nem se dão ao trabalho de ir às urnas.

O forte domínio do Partido Democrático Popular (PDP), governista, que controla a maioria dos 36 governos estaduais, detém forte maioria legislativa e cujos candidatos venceram todas as eleições presidenciais desde o final do domínio militar, uma década atrás, significa que muita gente acredita que seu voto pouco influenciaria o resultado.