Internet reforça militância mas efeito em indecisos é limitado

quinta-feira, 9 de setembro de 2010 17:11 BRT
 

Por Hugo Bachega

SÃO PAULO (Reuters) - O roteiro esperado previa a renovação do debate político e do diálogo mas, no clímax da novela eleitoral, a presença da Internet na campanha está mais para coadjuvante do que protagonista.

As campanhas dos presidenciáveis ainda tentam decifrar o impacto que a movimentação online teve sobre o eleitorado brasileiro a menos de um mês da eleição, mas uma coisa parece certa: reforçou a participação de militantes na web. A dúvida é o efeito real exercido sobre os demais eleitores.

Num país onde 42 por cento da população tem acesso à Internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o interesse do eleitorado é o fiel da balança na eficácia da campanha online.

"A Internet está muito superdimensionada," afirmou à Reuters Soninha Francine, responsável pela campanha de José Serra (PSDB) na Internet.

"É boa para quem é militante, que pode encontrar outros militantes. Para quem é indeciso é ótimo, desde que seja interessado. O indeciso desinteressado vai decidir pelo santinho que ele pegou na calçada no dia da eleição," disse.

A sucessão gerou hits virtuais, como o "Dilmaboy", na qual um universitário dança e canta em admiração à Dilma Rousseff (PT). No Twitter, Serra e a petista trocam mensagens com internautas que incluem dicas de livros, músicas, afagos e agenda de campanha.

A temporada de caça as votos reuniu os candidatos no primeiro debate entre presidenciáveis na Internet no país, mas o mundo online está longe de ser o destino favorito do eleitorado real.

São 135,8 milhões de eleitores brasileiros mas, segundo pesquisa Datafolha, apenas 7 por cento dos votantes preferem a Internet para obter informações sobre os candidatos. A televisão continua soberana neste reino, sendo a escolha de 65 por cento.   Continuação...