HP e novo presidente preparam-se para aquisições em software

segunda-feira, 4 de outubro de 2010 11:43 BRT
 

Por Ritsuko Ando

NOVA YORK, 4 de outubro (Reuters) - A escolha da Hewlett-Packard para o posto de presidente-executivo pode estimular uma onda de transações no setor de software, ao reforçar uma das partes menos desenvolvidas dos negócios da empresa e permitir que ela concorra com Oracle e IBM.

Leo Apotheker, antigo presidente da gigante alemã de software corporativo SAP e selecionado como presidente-executivo da maior empresa mundial de tecnologia, enfatizou que software é a "cola" que mantém as demais porções dos negócios da HP unidas.

Alguns analistas preveem, por isso, que a HP tomará o caminho das aquisições. Software responde por apenas 3 por cento do faturamento do grupo, ante mais de 20 por cento na IBM, e Brian Marshall, analista da Gleacher & Co., define esse segmento como "o calcanhar de Aquiles" da HP.

Agora, a crescente popularidade da computação em nuvem, que permite acesso a software via Internet pelos usuários, significa que as empresas quase certamente adquirirão menos servidores e outros computadores no futuro, o que representa ameaça para a HP, cuja atividade central é a produção de hardware.

"Considerando que servidores, notebooks e computadores de mesa responderam por cerca de 40 por cento do faturamento total da HP em 2009, é justo presumir que a empresa terá alguns problemas a enfrentar no futuro não muito distante", disse Marshall.

Mas os alvos disponíveis estão se tornando mais escassos, à medida que as empresas de tecnologia dotadas de boas reservas de caixa buscam aquisições em termos favoráveis após a crise financeira internacional.

Nos últimos meses, a HP tomou o controle da ArcSight, produtora de software de segurança, por 1,5 bilhão de dólares; a Intel desembolsou 7,7 bilhões de dólares pela McAfee; a IBM adquiriu a Netezza por 1,7 bilhão de dólares; e a Symantec adquiriu a divisão de autenticação de pagamentos da Verisign por cerca de 1,3 bilhão de dólares.

E uma vez que IBM, Oracle e outros fornecedores de tecnologia já adquiriram ativos de software em anos recentes para se expandir além do hardware, a HP pode não ter muita escolha.

"Há 10 anos, eles seriam como uma criança em uma loja de doces. Mas isso já não vale mais", disse Louis Miscioscia, analista da Collins Stewart.