ESPECIAL-Novos ciberguerreiros do Pentágono

terça-feira, 5 de outubro de 2010 15:57 BRT
 

Por Jim Wolf

WASHINGTON (Reuters) - Proteger poços de água e silos de grãos contra invasões inimigas é uma atividade tão antiga quanto a guerra. Na Idade Média, recursos vitais eram acumulados por trás das muralhas dos castelos, protegidos por fossos, pontes levadiças e cavaleiros armados de espadas afiadas.

Hoje, os planejadores de segurança nacional dos Estados Unidos estão propondo que a infraestrutura crítica do século 21 --redes de energia, comunicações, água e serviços financeiros-- seja protegida da mesma maneira contra invasores virtuais e outros inimigos.

As muralhas seriam virtuais, e seu perímetro seria policiado pelo Pentágono e contaria com o apoio de armas capazes de percorrer o globo em fração de segundo para destruir alvos.

Um estudo conduzido pela Reuters e envolvendo dezenas de entrevistas como militares, funcionários do governo e especialistas externos demonstra que as forças armadas norte-americanas estão se preparando para combates digitais de maneira ainda mais extensa do que deram a entender em público. E manter as indústrias essenciais do país em funcionamento é aspecto importante, mas controverso, da missão.

"As melhores defesas das redes militares terão pouca importância a menos que nossa infraestrutura civil também seja capaz de resistir a ataques", diz William Lynn, secretário assistente da Defesa norte-americano e encarregado de remodelar as capacidades militares para uso no campo de batalha digital emergente.

Qualquer grande conflito futuro, diz ele, envolverá inevitavelmente guerra cibernética que poderia bloquear redes de energia, transportes e serviços bancários, causando "imensas" perturbações econômicas.

Mas nem todos concordam que as forças armadas deveriam, ou mesmo tenham a capacidade de, proteger essas redes. Na verdade, alguns observadores do setor privado temem que transferir a responsabilidade para o Pentágono seja tecnologicamente difícil, e possivelmente contraproducente.

Por enquanto, porém, os proponentes da mudança parecem estar em vantagem. Os argumentos deles foram reforçados pela recente emergência do Stuxnet, um worm daninho de procedência desconhecida que ataca módulos de comando de equipamento industrial.   Continuação...