Lucro da China Mobile no 3o tri aponta desaceleração do setor

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 13:49 BRST
 

Por Kelvin Soh

HONG KONG (Reuters) - A China Mobile, maior operadora mundial de telefonia móvel, terá que depender de cortes de custos e de serviços com maior valor para estimular o crescimento de seu lucro, depois de reportar resultados fracos no terceiro trimestre.

O crescimento de 3,5 por cento no lucro da empresa pode ditar o tom para as rivais China Unicom e China Telecom, que também devem anunciar ganhos estagnados na semana que vem.

"A China Mobile deixou de ser uma empresa em crescimento, como no passado," disse Frank Zhu, analista de telecomunicações na SinoPac Securities, em Xangai.

"O que a empresa precisa fazer é aumentar de fato o número de usuários de serviços 3G e controlar custos porque as pessoas que ainda não têm celulares provavelmente têm poder aquisitivo menor que o usuário urbano médio," acrescentou.

A China conta com mais de 800 milhões de usuários de celulares, em uma população de 1,3 bilhão de habitantes, o que equivale a uma penetração de 61 por cento. Em comparação, para Hong Kong o índice de penetração é de mais de 150 por cento, de acordo com a agência de estatísticas do território.

No entanto, a maioria dos novos usuários vem de cidades menores e aldeias, e provavelmente registrarão gastos menores, o que causará queda na margem de lucro das três operadoras chinesas de telefonia móvel.

Isso levou a receita média mensal por usuário da empresa, um indicador muito acompanhado pelo setor, a 72 iuans nos nove primeiros meses deste ano, ante 75 iuans um ano atrás.

A China Mobile é a maior operadora mundial de telefonia móvel em termos de número de usuários e capitalização de mercado. Sua base de assinantes de mais de 500 milhões de pessoas é maior que a população dos Estados Unidos, Austrália e Alemanha combinada.

Para conter a queda na receita por usuário, as operadoras chinesas começaram a buscar usuários de serviços 3G para estimular o crescimento, oferecendo celulares subsidiados de marcas como Apple e HTC em troca de contratos de serviço plurianuais.