Amazon nega pressão dos EUA em bloqueio a WikiLeaks

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 13:10 BRST
 

NOVA YORK (Reuters) - A Amazon.com anunciou que não hospedará mais o site WikiLeaks, que publicou informações sigilosas e delicadas do governo dos Estados Unidos, mas negou que isso tivesse acontecido como resultado da pressão do governo.

"Houve rumores de que um inquérito do governo nos levou a deixar de atender o WikiLeaks. Isso não procede", afirmou a empresa em comunicado.

"Também surgiram informações de que a decisão foi causada por ataques DDOS (negação de serviço distribuída) em larga escala, o que tampouco procede. Houve de fato ataques DDOS em larga escala, mas nos defendemos com sucesso contra eles", acrescenta o texto.

A Amazon informou que havia suspendido a hospedagem do WikiLeaks porque ele havia violado os termos de serviço, e não devido a um inquérito do Comitê de Segurança Interna do Senado norte-americano, causado pela raiva quanto à divulgação de milhares de documentos sigilosos do governo dos EUA.

Assessores de Joe Lieberman, o presidente do comitê, questionaram a Amazon em função de seu relacionamento com o WikiLeaks, na terça-feira, e solicitaram a outras empresas de hospedagem na Web para boicotarem o WikiLeaks.

O WikiLeaks recorreu à Amazon para manter seu site disponível depois que hackers tentaram sobrecarregá-lo e impedir usuários de acessar as informações sigilosas. O WikiLeaks anunciou que agora está hospedado em servidores europeus.

Em comunicado distribuído quinta-feira, a Amazon anunciou que sua divisão Amazon Web Services (AWS) aluga infraestrutura de computação em esquema de self-service. A AWS não realiza verificações preliminares sobre seus clientes, mas impõe termos de serviço que devem ser respeitados.

"O WikiLeaks não os estava respeitando. Havia violações de diversas normas", afirmou a empresa.

Um exemplo mencionado por ela foi que os termos de serviços dispõem que o cliente precisa garantir que é dono ou está licenciado para usar o conteúdo que hospeda no site, e que o uso desse conteúdo não prejudicará outras pessoas ou entidades.

"Fica claro que o WikiLeaks não é dono ou controla os direitos sobre esse conteúdo classificado", afirmou a Amazon. "Não se pode acreditar que o volume extraordinário de 250 mil documentos sigilosos que o site está publicando tenha sido cuidadosamente verificado para garantir que pessoas inocentes não sejam colocadas em risco."