Chineses visam comprar empresas ricas em propriedade intelectual

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 14:24 BRST
 

Por Melanie Lee

XANGAI (Reuters) - Companhias chinesas estão se preparando para adquirir empresas de tecnologia menores e mais ricas em propriedade intelectual (PI), alimentadas pela ambiciosa campanha do país para promover a convergência entre suas redes de televisão, telefonia e Internet.

Potenciais transações poderiam vir de companhias como a Huawei e ZTE, que estão em busca de possíveis alvos com tecnologias de fibra óptica e de fabricantes de equipamento para redes.

Uma proposta em dinheiro do Xinmao Group, da China, para ingressar no setor europeu de operadoras de cabo com uma oferta de um bilhão de euros (1,3 bilhão de dólares) pelo grupo europeu Draka destaca a forma pela qual empresas menos estabelecidas também procuram benefícios no boom das fibras ópticas.

Antecipa-se que a China tenha até 100 bilhões de dólares em oportunidades de investimento até 2015, para desenvolver plenamente a "Jogada Tripla" --a convergência das redes de televisão, Internet e telefonia. Muitas empresas chinesas querem ganhar escala antes desse prazo a fim de se beneficiar dessa oportunidade de negócios.

"A China está em um estágio no qual gostaria de não abrir as portas a um grupo de fornecedores estrangeiros que abocanhariam os suculentos contratos de uma iniciativa para uma nova plataforma, mas sim que fornecedores nacionais os conquistassem", disse Mark Natkin, diretor executivo da consultoria tecnológica Marbridge Consulting.

A FiberHome Telecommunication Technologies Co e a Jiangsu Zhongtian Technology podem estar entre as demais companhias chinesas em busca de aquisições no exterior.

A PacketFront, empresa sueca que se especializa em produtos para redes, e a fabricantes de cabos Belden podem surgir nos radares dos interessados em aquisições.

As transações internacionais chinesas no setor de alta tecnologia atingiram 5,8 bilhões de dólares, o valor mais alto da década, nas 91 transações do ano passado, de acordo com dados da Thomson Reuters. Este ano, aconteceram 94 transações, com valor de 2,3 bilhões de dólares.

"Se os fornecedores domésticos não tiverem vantagem ou tecnologia líder... seria lógico tentar adquirir empresas estrangeiras que o tenham", disse Natkin.

A PacketFront não está interessada em fusões ou aquisições no momento, disse um porta-voz. Outras empresas citadas na reportagem não quiseram comentar.