ANÁLISE-WikiLeaks: uma nova forma amadora de guerra cibernética?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010 18:51 BRST
 

Por Peter Apps

LONDRES (Reuters) - Os ataques digitais realizados por simpatizantes do WikiLeaks mostram que a guerra cibernética do século 21 está se tornando mais amadora e anárquica do que muitos previam.

A maioria dos países nos últimos anos tem despejado mais recursos e atenção à sua segurança digital, mas em geral focando a ação de grupos militantes como a Al Qaeda, ou os clássicos conflitos entre Estados.

Mas as tentativas de silenciar o WikiLeaks após a divulgação de mais de 250 mil comunicações diplomáticas dos EUA parecem ter provocado algo diferente - uma espécie de rebelião popular envolvendo centenas de milhares de ativistas hábeis em informática.

"A primeira infoguerra séria está sendo travada", disse pelo Twitter, na semana passada, John Perry Barlow, ex-letrista do Grateful Dead e fundador da Fundação Fronteira Eletrônica. "O campo de batalha é o WikiLeaks. Vocês são as tropas."

Alguns elementos mais militantes na rede levaram isso ao pé da letra. Um grupo que se autointitula Anonymous estampou no alto de um site a frase "Operation Avenge Assange" ("operação vingar Assenge"), em alusão ao fundador do WikiLeaks, Julian Asange, preso nesta semana em Londres sob a acusação de ter cometido crimes sexuais na Suécia - algo que seus partidários dizem ser uma acusação com motivação política.

O Anonymous parece estar usando o Twitter para coordenar ataques contra sites pertencentes a entidades que estariam tentando silenciar o WikiLeaks. Isso inclui empresas - como MasterCard, Visa e um banco suíço - que passaram a impedir doações ao site que vazou as comunicações diplomáticas, aparentemente por pressão dos EUA.

O site do governo sueco e dos promotores responsáveis pela prisão de Assange também foram "hackeados".

GÊNIO À SOLTA   Continuação...