Fundador do WikiLeaks faz acusações antes de audência em Londres

terça-feira, 14 de dezembro de 2010 10:03 BRST
 

Por Adrian Croft

LONDRES (Reuters) - Julian Assange, fundador do WikiLeaks, acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de "ataques ilegais e imorais".

Assange está preso na Grã-Bretanha, de onde poderá ser extraditado para a Suécia para responder por acusações de crimes sexuais, os quais ele nega ter cometido. Numa audiência ainda nesta terça-feira, seus advogados vão pedir a libertação sob pagamento fiança.

O site criado por ele enfureceu os EUA ao começar a divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas, que causaram constrangimento para Washington e outros governos.

Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar. "Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, de 39 anos, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", disse Assange. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela internet a "Operation Payback" ("Operação Troco"), tirando do ar os sites da Visa, Credicard e do governo sueco.

Mas o advogado de Assange, Mark Stephens, sugeriu que seu cliente discorda desses ataques. "Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques... ele disse: 'Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso", afirmou Stephens na terça-feira ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia "vinte três horas e meia por dia". "Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais insignificantes formas de censura", afirmou.

Assange e seus advogados já manifestaram temores de que promotores dos EUA queiram indiciá-lo por espionagem por causa dos vazamentos do WikiLeaks.

(Reportagem adicional de Michael Perry)