14 de Dezembro de 2010 / às 15:44 / em 7 anos

Tribunal britânico autoriza fiança mas Assange segue preso

<p>Julian Assange durante coletiva de imprensa em Londres, em outubro. O fundador do WikiLeaks, que est&aacute; preso na Gr&atilde;-Bretanha ap&oacute;s ter sido acusado na Su&eacute;cia de crimes sexuais, foi autorizado nesta ter&ccedil;a-feira por um tribunal a deixar a pris&atilde;o sob pagamento de fian&ccedil;a. 23/10/2010Luke MacGregor/Arquivo</p>

Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - Um juiz britânico concedeu nesta terça-feira a liberdade condicional a Julian Assange mediante o pagamento de uma fiança de 200 mil libras (317,4 mil dólares), mas depois decidiu que o fundador do site WikiLeaks ainda deverá permanecer sob custódia até uma nova audiência, no prazo de 48 horas.

O australiano, de 39 anos, pode ser extraditado para a Suécia para responder por acusações de crime sexual.

Na primeira decisão, o juiz Howard Riddle estabelecera que Assange poderia aguardar em liberdade uma audiência marcada para 11 de janeiro, desde que respeitasse rígidas condições -- como um toque de recolher e o uso de um localizador eletrônico -- e se apresentasse diariamente à polícia. A fiança de 200 mil libras seria paga por apoiadores ricos.

Assange, um australiano de 39 anos, é acusado por duas ex-voluntárias do WikiLeaks de ter tido comportamentos que na Suécia são considerados crimes sexuais. Ele nega as acusações, e diz estar sendo vítima de uma perseguição política por parte dos Estados Unidos, depois que o WikiLeaks passou a divulgar mais de 250 mil documentos sigilosos da diplomacia norte-americana.

Mark Stephens, advogado de Assange, disse que a Suécia claramente não irá poupar esforços para manter Assange preso.

"Isso está realmente se transformando num julgamento-show, e estaremos novamente na corte dentro de 48 horas", disse o advogado a jornalistas. Ele disse que Assange, que se entregou há uma semana à polícia de Londres, é "um homem inocente, colocado em condições dickensianas, condições vitorianas, na prisão de Wandsworth."

Assange e seus advogados não escondem o temor de que promotores dos EUA possam estar se preparando para indiciá-lo por espionagem por causa da publicação dos documentos diplomáticos.

Riddle há uma semana havia negado o pedido de liberdade condicional a Assange, mas disse ter mudado de ideia porque o réu apresentou um domicílio britânico, e discrepâncias a respeito do seu passaporte e do seu direito de permanecer na Grã-Bretanha foram resolvidas.

Gemma Lindfield, representante da promotoria que representa o governo sueco, disse que nada mudou. "Ele continua sendo um risco de fuga significativo, e nenhuma condição que a corte impuser poderá impedir sua fuga", disse ela à corte.

IMPASSÍVEL

Assange foi à audiência vestindo paletó azul marinho e camisa social branca, com colarinho aberto. Falou apenas para confirmar seu nome, idade e endereço. Impassível, manteve-se sentado por trás de biombos de vidro fosco durante toda a audiência, que durou pouco mais de uma hora.

Entre os simpatizantes presentes no plenário estavam Bianca Jagger, ex-mulher do vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger.

Uma das principais condições da liberdade condicional é que ele viva no Ellingham Hall, uma mansão rural em Suffolk, leste da Inglaterra, onde reside o ex-oficial do Exército Vaughan Smith, seu apoiador, que o qualificou como "uma pessoa muito honrada, enormemente corajosa, autocrítica e calorosa."

Duas testemunhas de Assange ocuparam o espaço das testemunhas para se oferecerem como fiadores, empenhando 20 mil libras cada um. Sarah Saunders, dona de uma empresa de alimentação e restaurantes, disse ao tribunal: "Acredito que ele não me decepcionaria."

"CONVICÇÕES FIRMES"

Antes da audiência desta terça, Assange acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de "ataques ilegais e imorais."

Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar.

"Minhas convicções são firmes. Continuo fiel aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los", disse Assange, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

"Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes", afirmou. "Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais."

Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela Internet a "Operation Payback" ("Operação Troco"), tirando do ar os sites da Visa, Credicard e do governo sueco.

Mas o advogado de Assange Mark Stephens sugeriu que seu cliente discorda desses ataques.

"Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques... ele disse: 'Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso,'" afirmou Stephens nesta terça ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia "vinte três horas e meia por dia".

"Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais insignificantes formas de censura," afirmou.

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