Tribunal britânico autoriza fiança mas Assange segue preso

terça-feira, 14 de dezembro de 2010 17:30 BRST
 

Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - Um juiz britânico concedeu nesta terça-feira a liberdade condicional a Julian Assange mediante o pagamento de uma fiança de 200 mil libras (317,4 mil dólares), mas depois decidiu que o fundador do site WikiLeaks ainda deverá permanecer sob custódia até uma nova audiência, no prazo de 48 horas.

O australiano, de 39 anos, pode ser extraditado para a Suécia para responder por acusações de crime sexual.

Na primeira decisão, o juiz Howard Riddle estabelecera que Assange poderia aguardar em liberdade uma audiência marcada para 11 de janeiro, desde que respeitasse rígidas condições -- como um toque de recolher e o uso de um localizador eletrônico -- e se apresentasse diariamente à polícia. A fiança de 200 mil libras seria paga por apoiadores ricos.

Assange, um australiano de 39 anos, é acusado por duas ex-voluntárias do WikiLeaks de ter tido comportamentos que na Suécia são considerados crimes sexuais. Ele nega as acusações, e diz estar sendo vítima de uma perseguição política por parte dos Estados Unidos, depois que o WikiLeaks passou a divulgar mais de 250 mil documentos sigilosos da diplomacia norte-americana.

Mark Stephens, advogado de Assange, disse que a Suécia claramente não irá poupar esforços para manter Assange preso.

"Isso está realmente se transformando num julgamento-show, e estaremos novamente na corte dentro de 48 horas", disse o advogado a jornalistas. Ele disse que Assange, que se entregou há uma semana à polícia de Londres, é "um homem inocente, colocado em condições dickensianas, condições vitorianas, na prisão de Wandsworth."

Assange e seus advogados não escondem o temor de que promotores dos EUA possam estar se preparando para indiciá-lo por espionagem por causa da publicação dos documentos diplomáticos.

Riddle há uma semana havia negado o pedido de liberdade condicional a Assange, mas disse ter mudado de ideia porque o réu apresentou um domicílio britânico, e discrepâncias a respeito do seu passaporte e do seu direito de permanecer na Grã-Bretanha foram resolvidas.   Continuação...

 
<p>Julian Assange durante coletiva de imprensa em Londres, em outubro. O fundador do WikiLeaks, que est&aacute; preso na Gr&atilde;-Bretanha ap&oacute;s ter sido acusado na Su&eacute;cia de crimes sexuais, foi autorizado nesta ter&ccedil;a-feira por um tribunal a deixar a pris&atilde;o sob pagamento de fian&ccedil;a. 23/10/2010 REUTERS/Luke MacGregor/Arquivo</p>