Sony: cotas chinesas para mineral raro prejudicam livre comércio

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010 15:00 BRST
 

TÓQUIO (Reuters) - A japonesa Sony afirmou que a decisão chinesa de reduzir as cotas de exportação de minerais de terras raras representa obstáculo ao livre comércio, e que trabalhará para reduzir sua dependência desses minerais cruciais para a produção de produtos de alta tecnologia.

Os comentários da Sony surgiram depois que a China anunciou que reduzirá sua cota de exportação de minerais de terras raras em 35 por cento no primeiro semestre de 2011, o que causou preocupação quanto a uma escassez de oferta e possível alta de preços.

Embora a Sony não adquira ou importe minerais de terras raras diretamente, os materiais são cruciais para a produção de componentes usados em seus produtos finais. Entre eles estão ímãs, condensadores e abrasivos para o polimento do vidro usado em telas LCD, disse o porta-voz da companhia Ayano Iguchi.

"Não podemos aceitar sem queixas controles sobre as exportações de minerais de terras raras ou outras restrições ao sistema de livre comércio", afirmou a Sony em comunicado enviado por e-mail em resposta a questões apresentadas pela Reuters.

"No momento, não existe impacto direto sobre a nossa companhia. Mas novas restrições poderiam resultar em uma escassez de suprimentos ou alta nos custos de peças e materiais. Acompanharemos a situação atentamente."

A Sony --fabricante dos televisores marca Bravia, dos computadores Vaio e do videogames PlayStation 3-- procurará maneiras de reduzir seu uso de minerais de terras raras, entre as quais o desenvolvimento de materiais alternativos, afirmou Iguchi.

A China responde por 97 por cento da produção mundial de minerais de terras raras e o Japão, que abriga muitos dos maiores fabricantes globais de automóveis e produtos de alta tecnologia, depende da China para a maior parte de suas necessidades desses materiais.

As empresas japonesas estão correndo para desenvolver tecnologias alternativas e garantir novas fontes de minerais de terras raras depois que a China reduziu suas cotas este ano e que alguns embarques foram temporariamente suspensos, em uma decisão que alguns observadores acreditam tenha sido causada por uma disputa territorial entre os dois países.

Entre as transações recentes, a Sumitomo anunciou investimento de 130 milhões de dólares na Molycorp, que controla uma mina de terras raras na Califórnia, e outra trading, a Sojitz, assinou acordo de suprimento com a australiana Lynas.

(Por Nathan Layne)