Esforço de gêmeos para cancelar acordo com Facebook é dúbio

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 09:45 BRST
 

Por Dan Levine e Alexei Oreskovic

SAN FRANCISCO (Reuters) - Cameron e Tyler Winklevoss enfrentaram uma audiência cética na terça-feira ao tentarem persuadir um tribunal de recursos norte-americano a invalidar um acordo extrajudicial de 65 milhões de dólares que assinaram para encerrar suas queixas quanto à criação do serviço online de redes sociais Facebook.

A saga dos gêmeos Winklevoss e de Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook, tornou-se tema de cinema com o lançamento do filme "A Rede Social", no ano passado, e foi durante muito tempo também uma batalha judicial.

Caso a disputa seja retomada, poderia representar uma grande dor de cabeça para o serviço de redes sociais em rápido crescimento, que vem atraindo interesse frenético dos investidores apesar de ser uma empresa de capital fechado, e está sendo observado atentamente em busca de sinais de que possa estar preparando uma oferta pública inicial de ações que atrairia imenso interesse.

Os irmãos, que tem 1,96 metro de altura, estavam claramente visíveis na primeira fileira do tribunal de recursos, terça-feira. Os dois, remadores olímpicos que disputaram a Olimpíada de Pequim em 2008, estavam vestindo ternos escuros e ouviram em silêncio as muitas perguntas feitas pelo painel de três juízes ao seu advogado.

Zuckerberg não compareceu à audiência judicial que envolvia antigos colegas de escola na Harvard University. No filme, o ator Armie Hammer interpreta os dois gêmeos idênticos, a quem o personagem de Zuckerberg se refere sarcasticamente como "os Winklevi".

Os gêmeos, em sociedade com Divya Narendra, criaram uma empresa chamada ConnectU, quando estudavam em Harvard, e afirmam que Zuckerberg roubou sua ideia para criar o Facebook, que nega essa alegação.

Os gêmeos alegam que, com base em uma avaliação interna que o Facebook não revela, deveriam ter recebido mais ações da empresa como parte do acordo extrajudicial que encerrou seu processo em 2008. O Facebook alega que não tem obrigação judicial de revelar uma avaliação interna.

O juiz Barry Silverman perguntou por que os advogados dos gêmeos não pressionaram mais para obter o número durante as negociações do acordo.

"Por que não perguntaram sobre isso naquele momento?", disse.

Jerome Falk, advogado dos Winklevoss, argumenta que o Facebook tem obrigação legal de revelar a informação. Mark Rosencrantz, advogado do Facebook, discorda dessa interpretação.