Executivo de banco suíço ligado ao WikiLeaks vai a julgamento

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 11:44 BRST
 

Por Emma Thomasson e Martin de Sá Pinto

ZURIQUE (Reuters) - O ex-executivo de um banco Rudolf Elmer admitiu na quarta-feira, no início de seu julgamento na Suíça, que enviou dados particulares de um cliente a autoridades tributárias, mas negou ter cometido chantagem e ameaças de bomba contra o banco Julius Baer.

Elmer, 55 anos, foi um dos primeiros a usar o WikiLeaks para publicar documentos bancários particulares, supostamente violando as leis suíças sobre o sigilo financeiro. Ele disse que colocou as informações no site por causa da recusa das autoridades suíças em coibir irregularidades.

"A ética da liderança empresarial nos dois lados do Atlântico me desapontou", disse ele, acrescentando que desejava expor atividades ilegais de bancos "offshore" nas ilhas Cayman.

Elmer disse que o Baer, para quem trabalhava, moveu uma campanha de "terror psicológico" contra ele e sua família, e lhe ofereceu 500 mil francos suíços por seu silêncio. Ele disse que nunca aceitou pagamentos em troca dos dados secretos.

Admitiu no entanto ter escrito emails anônimos em 2005, ameaçando enviar detalhes sobre clientes bancários às autoridades e à imprensa se o Baer não deixasse de cometer certas ações - não especificadas - contra seus funcionários.

"A situação era muito ameaçadora. Estávamos muito assustados e achei que o banco estava por trás disso. Por isso enviei os emails."

Ele admitiu também que enviou detalhes sobre casos de evasão fiscal às autoridades suíças, mas negou que tenha feito uma ameaça de bomba contra a sede do Baer em Zurique, que tenha ameaçado um empregado dele, ou tentando chantagear o banco.

A promotora Alexandra Bergmann disse que Elmer rejeitou as acusações para não contradizer a estratégia da defesa, de que ele teria agido de forma altruísta, pelo interesse público.   Continuação...