Fundador do WikiLeaks tenta evitar extradição para a Suécia

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 11:59 BRST
 

Por Adrian Croft

LONDRES (Reuters) - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, pediu nesta segunda-feira a um juiz britânico que bloqueie sua extradição para a Suécia -- onde poderia ser julgado por crimes sexuais --, argumentando que não obteria um julgamento justo e poderia ter de enfrentar a pena de morte nos Estados Unidos.

O australiano Assange, 39 anos, especialista em computação, enfureceu o governo norte-americano ao divulgar milhares de documentos diplomáticos secretos em seu site na Internet. Ele é procurado na Suécia onde duas voluntárias do WikiLeaks o acusam de conduta sexual indevida. Assange nega as alegações.

O advogado de Assange, Geoffrey Robertson, disse ao tribunal em Londres que Assange não teria um julgamento justo na Suécia, pois casos de estupro geralmente são julgados em sessões fechadas.

"Você não pode ter um julgamento justo quando a imprensa e o público são excluídos do tribunal... Existe um risco real de uma violação flagrante de seus direitos", disse ele no começo da audiência de dois dias sobre a extradição de Assange.

Em Estocolmo, autoridades suecas confirmaram que os julgamentos de estupro no país normalmente são realizados em audiências fechadas ao público.

Assange, vestido com um terno preto e uma gravata, foi aplaudido por um pequeno grupo de simpatizantes ao chegar ao tribunal de Belmarsh.

Dezenas de caminhões de emissoras de TV estavam estacionados no local e jornalistas do mundo inteiro fizeram fila para cobrir o julgamento, mostrando o forte interesse da mídia pelo fundador do WikiLeaks.

Em um documento de 74 páginas, os advogados de Assange argumentam que existe um risco de que, se ele for extraditado à Suécia, os Estados Unidos peçam sua "extradição e/ou rendição ilegal aos EUA, onde haveria o risco real de ele ser detido na Baía de Guantánamo".   Continuação...

 
<p>Julian Assange chega &agrave; corte Belmarsh, em Londres, 7 de fevereiro de 2011. REUTERS/Andrew Winning</p>