10 de Fevereiro de 2011 / às 20:59 / 7 anos atrás

Livro descreve tensões internas do WikiLeaks

Por Mark Hosenball e Jasmin Rietdorf

LONDRES/BERLIM (Reuters) - O ex-braço direito de Julian Assange à frente do WikiLeaks lançou na quinta-feira um livro em que descreve Assange como um valentão irresponsável e autoritário, que chegou a ameaçá-lo de morte.

Em “Inside Wikileaks: My Time with Julian Assange at the World’s Most Dangerous Website” (“Por dentro do WikiLeaks: meu período com Julian Assange no site mais perigoso do mundo”), Daniel Domscheit-Berg diz ter abandonado o WikiLeaks em setembro por discordar da gestão do projeto e por ter sido falsamente acusado por Assange de ter promovido o vazamento de documentos internos e secretos do próprio site.

O WikiLeaks tem provocado irritação dos EUA e de outros governos nos últimos anos ao divulgar documentos sigilosos, como um recente lote com mais de 250 mil comunicações diplomáticas norte-americanas.

Mas o livro insinua que o WikiLeaks foi afetado em sua capacidade de fazer novas revelações porque um programador descontente desligou um componente que garantia o anonimato de quem pretendia entregar materiais - algo que ativistas e jornalistas que trabalharam com o site confirmaram à Reuters.

Nem Assange nem outras pessoas ligadas a ele responderam a pedidos feitos por email pela Reuters para que comentassem o livro. Mas Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks, confirmou em nota à revista Forbes que o sistema de recepção de documentos está sendo reformulado, e criticou Domscheit-Berg por ter supostamente exagerado seu envolvimento com o site. Acrescentou que o WikiLeaks processará Domscheit-Berg por sabotagem.

Uma fonte familiarizada com o conteúdo do livro disse que Domscheit-Berg levou consigo vários documentos que estavam em poder do WikiLeaks e ainda não haviam sido divulgados.

No livro, ele mostra como dois amigos íntimos acabaram por se detestar. “Havia momentos em que (Assange) me ameaçava muito intensamente, ameaçando me perseguir e me matar, ou, no final, ir com a polícia para levar todos nós presos”, disse Domscheit-Berg numa entrevista coletiva em Berlim.

Domscheit-Berg disse que Assange nunca deliberou com seus colegas sobre como proceder, e “várias vezes divulgou materiais apesar de acordos internos em contrário”. “São dados que ainda não foram editados e que podem ainda incluir informações sobre as fontes”, explicou. “Isso é simplesmente irresponsável.”

Domscheit-Berg recentemente anunciou que criaria um site “concorrente” do WikiLeaks, chamado OpenLeaks.org, com apoio de um ex-programador do WikiLeaks, supostamente alemão, com maior habilidade informática do que o próprio Assange.

Não se sabe exatamente quanto material enviado ao WikiLeaks está atualmente em poder de Domscheit-Berg e do programador, conhecido apenas como “O Arquiteto”.

Domscheit-Berg não deu pistas sobre o conteúdo ou volume do material, mas insinuou que poderá no futuro devolvê-lo a Assange.

O novo site não se propõe a publicar ou analisar os vazamentos recebidos, e sim servir como veículo para a divulgação de parceiros do site, o que pode incluir meios de comunicação, ONGs e sindicatos.

Em uma entrevista à revista alemã Stern, Domscheit-Berg declarou que os dados ainda em poder de Assange são antigos e “completamente não-espetaculares”.

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