Presidente da China pede maior fiscalização na Internet

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 12:00 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - O presidente chinês Hu Jintao apelou no sábado por uma administração mais severa da Internet pelo governo, enquanto convocações para manifestações inspiradas nos levantes do Oriente Médio se espalhavam por sites chineses hospedados fora do país.

As mensagens não têm grande chance de inspirar protestos na China, cujo governo de partido único tem fortes controles de censura em vigor e no qual a maioria dos chineses encontra dificuldades de acesso a sites no exterior devido às barreiras criadas pelos censores.

Mas Hu declarou em reunião com altos líderes do Partido Comunista que, a despeito da prosperidade crescente, a China está enfrentando conflitos sociais mais graves que testarão a capacidade do partido de manter controle firme.

Hu não mencionou os protestos organizados via Internet que abalaram governos autoritários em todo o Oriente Médio e derrubaram o presidente Hosni Mubarak, que dominou o Egito por muito tempo. Mas disse às autoridades chinesas que elas precisavam tomar as rédeas da "sociedade virtual" de um país no qual existem cerca de 450 milhões de internautas.

"No presente, nosso país vive uma importante janela estratégica de desenvolvimento, mas também um período de conflito social intensificado", disse Hu em reunião na Escola Central do Partido, na região noroeste de Pequim, que serve para treinar os líderes em ascensão.

Entre as medidas que o governo precisa tomar para combater esses riscos, disse Hu, uma era "reforçar e melhorar ainda mais a administração da Internet, melhorar o padrão de administração da sociedade virtual, e estabelecer mecanismos que orientem a opinião pública".

Os comentários surgiram no momento em que se espalhavam apelos vindos do exterior por protestos que deveriam ser realizados na China no domingo, inspirados na "Revolução Jasmim" do Oriente Médio.

"Lançar reformas políticas e pôr fim à ditadura de partido único, libertar a imprensa para livre circulação de notícias", sugeria uma mensagem, que propunha protestos em 13 cidades chinesas, entre as quais Pequim e Xangai.