China descarta acusações do Google quanto a Gmail

terça-feira, 22 de março de 2011 10:54 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - O Ministério do Exterior da China anunciou na terça-feira que não aceitava acusações do Google no sentido de que o governo chinês estava dificultando o uso do serviço Gmail a usuários do país.

"É uma acusação inaceitável", disse Jian Yu, porta-voz do Ministério do Exterior, em uma conversa com jornalistas, sem acrescentar detalhes.

Na segunda-feira, uma porta-voz do Google declarou que qualquer dificuldade que os usuários chineses possam ter enfrentado nas últimas semanas para o acesso ao serviço de e-mail Gmail resultava provavelmente de bloqueios governamentais.

Os usuários do Gmail na China afirmaram que continuavam capazes de acessar suas contas, mas depois disso não conseguiam realizar tarefas tais como enviar e-mails ou consultar suas agendas.

Na segunda-feira, as ações do Google registraram alta de 2,8 por cento, enquanto as do rival chinês Sina subiam em 5,5 por cento e as da Baidu, uma operadora chinesa de serviços de busca, subiam em 2,9 por cento.

As disputas entre o Google e o governo chinês começaram em janeiro de 2010, quando a empresa anunciou que não estava mais disposto a censurar os resultados de buscas no país. Antes, a empresa incluía uma notificação em seu site chinês alertando de que buscas não haviam podido ser concluídas devido às leis locais.

Buscas por termos considerados sensíveis pelos censores chineses costumam ser bloqueadas regularmente. Serviços chineses de buscas como os da Baidu filtram esses resultados voluntariamente.

Essa não é a primeira vez que o Google acusa a China de interferir com seus serviços. Em janeiro, a empresa afirmou ter descoberto sofisticados ataques realizados da China contra ativistas dos direitos humanos que utilizam o Gmail em todo o mundo.

Os meses de disputa entre o Google e as autoridades chinesas foram causa de dificuldades diplomáticas entre Pequim e Washington em 2010.

A censura ao conteúdo da Web se intensificou na China depois de apelos em sites estrangeiros por uma "revolução jasmim", ou seja, manifestações antigovernamentais como as que vêm acontecendo no Oriente Médio e África do Norte.