Cientistas esperam lançar luz sobre lado escuro do universo

quarta-feira, 27 de abril de 2011 18:00 BRT
 

Por Irene Klotz

CABO CANAVERAL, Estados Unidos (Reuters) - Tudo o que os cientistas sabem sobre o cosmo, do Big Bang aos buracos negros, veio das medições dos raios de luz.

A Mãe Natureza, porém, também fala na forma de partículas e até agora os instrumentos dos cientistas têm pouco ouvido essa segunda língua.

Um equipamento que deve ser lançado a bordo do ônibus espacial Endeavor na sexta-feira da Flórida foi projetado para fornecer aos cientistas o primeiro estudo detalhado sobre as partículas com cargas elétricas que correm pelo cosmos.

O Espectrômetro Magnético Alfa (AMS, na sigla em inglês) poderá reformular a compreensão moderna sobre o universo, de forma muito parecida como o Telescópio Espacial Hubble desbravou novas fronteiras da astronomia, sendo responsável inclusive pela surpreendente descoberta de que a taxa de expansão do universo está acelerando.

"Os raios cósmicos com carga são uma área da ciência praticamente inexplorada", disse o físico Samuel Ting, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Laureado com um Nobel, ele lidera a equipe de 600 pessoas que desenvolveram o AMS ao custo de 2 bilhões de dólares.

As imagens proporcionadas pelo AMS, que foi montado no centro de pesquisa Cern, perto de Genebra, poderão jogar luz sobre a chamada matéria escura do universo - a matéria que até agora não foi encontrada, mas é necessária para explicar o que é observável.

Estrelas, planetas, gás, poeira e outros fenômenos detectáveis são responsáveis por menos de 10 por cento da matéria que se acredita existir. Sem a matéria escura ou algum outro fenômeno, as galáxias seriam incapazes de se manterem como são.

Embora por definição, a matéria escura não possa ser detectada diretamente, estudos mostram que a colisão de partículas escuras deve deixar pegadas reveladoras na forma de pósitrons, um tipo de partícula da matéria normal.