Sony tropeça; reformulação de Stringer fracassou?

segunda-feira, 23 de maio de 2011 09:47 BRT
 

TÓQUIO/NOVA YORK (Reuters) - Se a Sony tivesse persistido com o computador portátil Airboard, que lançou em 2000, Satoru Maeda, e não Steve Jobs, da Apple, talvez estivesse sendo celebrado como o criador do tablet.

"Eu inventei o Airboard," disse Maeda entre garfadas de camarão frito e bolinhos em um restaurante chinês no centro de Tóquio.

Ele estava se referindo a um aparelho dotado de tela plana que precedeu o iPad por uma década e oferecia vídeos, tela de toque para digitação e acesso à Internet.

O preço salgado e a qualidade de imagem precária foram dois dos motivos para que o produto --que em retrospecto parecia estar adiante de sua era-- não tenha decolado com rapidez. Disputas políticas internas e uma série de reorganizações divisionais que causaram perturbações na companhia garantiram que ele jamais recebesse a atenção de que necessitava para conquistar o sucesso, segundo Maeda.

A transformação do Airboard em Location Free TV --um aparelho que permitia assistir canais de TV locais em qualquer lugar-- não bastou para convencer a Sony ou o mercado de que a ideia funcionaria. O projeto, que chegou a ser alardeado como tão revolucionário quanto o Walkman, foi inteiramente abandonado em 2008.

Maeda disse saber um ano antes que a Sony, sob o comando de Howard Stringer --que se tornou presidente-executivo em 2005--, abandonaria sua invenção, depois de receber um e-mail de seu chefe.

Pouco depois, Maeda deixou a empresa para a qual havia trabalhado desde 1979, quando a Sony lançou o Walkman e se tornou uma das empresas mais atraentes do mercado. Foi um período de glória que Stringer prometeu retomar, mas que Maeda, hoje executivo da fabricante de equipamentos audiovisuais Kenwood JVC, não acredita que volte.

"A velha guarda da Sony gostava do Airboard e do Location Free TV porque eram produtos novos, e era isso que a Sony fazia," disse Maeda. "O pessoal que comanda a Sony atualmente não tem experiência com essas coisas, porque não introduzem produtos novos há cerca de dez anos."

Assim, Maeda e outros ex-funcionários da Sony insistem que sua antiga empregadora enfrenta sérias dificuldades e que Stringer, 69, não tem mais muito tempo para cumprir sua promessa de reinventar a empresa.   Continuação...