Depois de terremoto e hackers, Sony faz projeção cautelosa

quinta-feira, 26 de maio de 2011 10:30 BRT
 

Por Isabel Reynolds

TÓQUIO (Reuters) - A Sony apresentou projeção de lucro inferior à esperada para este ano, porque a gigante da eletrônica e entretenimento está enfrentando os efeitos colaterais do desastroso terremoto de março e de uma série de violações da segurança de suas redes.

Perturbações em sua cadeia de suprimentos e os danos físicos causados pelo terremoto e tsunami que atingiram o Japão em março prejudicam as perspectivas da Sony em seu mercado de origem.

O desastre forçou a companhia japonesa a anunciar segunda-feira uma provisão sobre créditos tributários que resultou em prejuízo líquido de 3,2 bilhões de dólares em seu ano fiscal encerrado em março, sua maior perda desde 1995 e a segunda pior de sua história.

Os mais recentes problemas da empresa surgiram no momento em que ela luta para reconquistar o mercado perdido para a Apple nos aparelhos portáteis para música e para a Samsung Electronics, nos televisores de tela plana.

A Sony previu nesta quinta-feira lucro líquido de 80 bilhões de ienes (975 milhões de dólares) no ano fiscal iniciado em abril, ante estimativa média de 105 bilhões de ienes entre os analistas consultados pela Thomson Reuters StarMine SmartEstimates, que confere maior peso a projeções recentes de analistas de primeira linha.

A companhia antecipa lucro operacional de 200 bilhões de ienes neste ano fiscal, o que reitera as informações divulgadas no começo da semana, que ajudaram suas ações a subir.

Mas há quem considere que essas projeções possam ser ambiciosas demais.

"Com base nas projeções deles, parece que a Sony espera recuperação na segunda metade do ano, o que representa uma projeção otimista, mas existe muita incerteza e há o risco de que os resultados fiquem aquém da expectativa", disse Koji Takeuchi, economista sênior do Mizuho Research Institute. "Ainda não está claro qual será o custo financeiro das violações de segurança", acrescentou.

A empresa informou que a produção seria parcialmente retomada em algumas de suas fábricas mais danificadas pelo terremoto, no norte do Japão, ao longo dos próximos dois meses, mas que o desastre continuaria a afetar as divisões de TV e câmeras e reduziria o lucro operacional em 150 bilhões de ienes ao longo do ano.