Força dos fundos de hedge pede saída de presidente da Microsoft

quinta-feira, 26 de maio de 2011 10:43 BRT
 

Por Svea Herbst-Bayliss e Bill Rigby

NOVA YORK/SEATTLE (Reuters) - O influente administrador de fundos de hedge David Einhorn pediu que o presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, renuncie ao cargo, afirmando que o líder da maior produtora mundial de software está preso ao passado.

"Sua presença continuada representa a maior influência adversa sobre as ações da Microsoft", disse Einhorn sobre Ballmer.

Os comentários de Einhorn, um executivo conhecido pela franqueza e que ganhou fama ao alertar quanto à saúde financeira precária do Lehman Brothers antes do colapso do banco de investimento, são os mais negativos que um grande investidor já realizou sobre a liderança da Microsoft.

As ações da empresa, que estão estáticas há mais de uma década, subiram em 0,87 por cento depois do fechamento do pregão e dos comentários de Einhorn na quarta-feira, a mais forte alta entre as ações que integram o índice industrial Dow Jones.

A gigante do software, que era a maior companhia norte-americana em termos de valor de mercado no final dos anos de 1990, terminou ultrapassada pela Apple e pela IBM e não é mais vista como força dominante no setor de tecnologia, por não ter conseguido explorar com sucesso os novos mercados da Internet e da computação móvel.

As ações da empresa caíram 6 por cento nas duas últimas semanas, depois que a Microsoft fechou acordo para adquirir o serviço de telefonia online Skype por 8,5 bilhões de dólares, decisão que causou espanto a muitos investidores.

Falando na Ira Sohn Investment Research Conference, um evento anual em Nova York, Einhorn disse que era hora de Ballmer, que sucedeu o co-fundador da empresa, Bill Gates, em 2000, abandonar o posto e "dar chance a alguém mais".

Os comentários de Einhorn ecoaram em público aquilo que alguns investidores vêm dizendo há anos em foro privado.

Um porta-voz da Microsoft se recusou a comentar as declarações de Einhorn.

O fundo de hedge Greenlight Capital, de Einhorn, adquiriu ações da Microsoft recentemente. Os papéis, negociados por menos de 10 vezes o lucro anual projetado da companhia, são vistos por muitos como subvalorizados.