Disparada nas ofertas públicas causa medo de nova bolha

segunda-feira, 6 de junho de 2011 13:26 BRT
 

Por Jonathan Stempel

NOVA YORK (Reuters) - O agitado mercado de ofertas públicas de ações (IPO, da sigla em inglês) do setor de Internet está despertando o temor de uma bolha, e destaca que as coisas mudaram pouco apesar dos processos judiciais e investigações causados pela bolha original da Internet nos anos 90.

Nas últimas cinco semanas, investidores em luta por participação em companhias de Internet de capital recentemente aberto causaram disparada nas ações do site de redes sociais profissionais LinkedIn e nas de dois serviços de busca, o russo Yandex e o chinês Renren. As ações do Renren caíram abaixo de seu preço de oferta, depois do lançamento.

E na quinta-feira, o site de descontos Groupon apresentou às autoridades regulatórias documentos necessários a levar adiante sua oferta pública inicial de ações, muito aguardada. Os investidores continuam à espera dos avisos de oferta pública inicial do Facebook e Twitter.

A corrida anterior às ações da Internet terminou com bilhões de dólares em prejuízos. Depois de oito anos de litígios, bancos como o Bank of America, Citigroup, Credit Suisse Group e Goldman Sachs Group chegaram a um acordo judicial no valor de 586 milhões de dólares, em 2009, a fim de resolver centenas de queixas de investidores.

Críticos das operações desse período afirmam que os bancos responsáveis pelas ofertas públicas manipularam o mercado em desfavor dos pequenos investidores, a fim de receber honorários milionários e ganhar influência junto a executivos empresariais bem informados. Os bancos negam quaisquer delitos.

Os advogados dos queixosos envolvidos nesses litígios estão prestando atenção à nova onda de ofertas públicas iniciais.

"Estamos acompanhando a situação com muito cuidado para garantir que as manipulações da primeira bolha da Internet não sejam repetidas uma década mais tarde, e que novos truques não sejam inventados para causar implosão semelhante", disse Stanley Bernstein, sócio do escritório Bernstein Liebhard e principal advogado dos queixosos no acordo com os bancos.

O juiz do caso concedeu 170,1 milhões de dólares aos advogados dos queixosos nesses casos, de acordo com documentos judiciais.