EUA fazem esforço secreto para ajudar dissidentes--jornal

segunda-feira, 13 de junho de 2011 12:57 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - O governo Obama está conduzindo um esforço mundial para estabelecer sistemas "paralelos" de Internet e telefonia móvel, a fim de ajudar dissidentes a solapar governos autoritários, reportou o New York Times.

O esforço se acelerou desde que o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak bloqueou a Internet do país nos últimos dias de seu governo, informava a reportagem, que cita documentos de planejamento, cabogramas diplomáticos sigilosos e fontes.

A Internet foi usada nos últimos meses por manifestantes antigovernamentais na África do Norte e Oriente Médio, a fim de ajudar a coordenar as manifestações. Alguns governos reagiram bloqueando o acesso de seus cidadãos à Internet.

Em um projeto, o Departamento de Estado e o Pentágono gastaram pelo menos 50 milhões de dólares para criar uma rede independente de celulares no Afeganistão, usando torres instaladas em bases militares no país, informou o New York Times, mencionando funcionários não identificados do governo dos EUA.

A operação tem por objetivo combater a capacidade dos insurgentes do Taleban para bloquear os serviços oficiais de telefonia do Afeganistão, afirmou o jornal.

O Departamento de Estado também está financiando a criação de redes sem fio de baixa visibilidade, a fim de permitir que ativistas se comuniquem sem que o governo seja capaz de interceptá-los, em países como Irã, Síria e Líbia, informou o jornal, citando pessoas envolvidas no projeto.

Outro projeto tem por foco o desenvolvimento de uma "Internet de valise" que poderia ser contrabandeada por uma fronteira e colocada em operação para permitir comunicação sem fio e conexão à Internet mundial.

A secretária de Estado Hillary Clinton apoia os esforços norte-americanos.

"Vemos mais e mais gente no mundo usando a Internet, celulares e outras tecnologias para que suas vozes sejam ouvidas em protesto contra as injustiças e em busca de realizar suas aspirações," teria dito Clinton, segundo o jornal, em um e-mail de resposta a questões sobre o assunto.

Diplomatas norte-americanos também se encontraram com agentes que vêm enterrando celulares chineses perto da fronteira com a Coreia do Norte, onde podem ser desenterrados e usados para fazer telefonemas furtivos, segundo o New York Times.

(Reportagem de Paul Simao)