"TVs para Todos" é a nova arma eleitoral de Cristina Kirchner

sexta-feira, 15 de julho de 2011 18:55 BRT
 

Por Eduardo Garcia

BUENOS AIRES (Reuters) - Quando Cristina Kirchner revelou no mês passado que disputaria um novo mandato como presidente da Argentina, o anúncio veio acompanhado de uma oferta de "TVs para Todos".

O objetivo do programa é ajudar milhares de argentinos a comprar TVs de telas planas com empréstimos subsidiados, uma estratégia do governo para manter o consumo aquecido e para atrair o eleitorado de baixa renda na eleição de 23 de outubro.

O "TVs para Todos" espelha iniciativas como o "Carne para Todos" e o "Peixe para Todos", em que caminhões distribuem esses alimentos a preços baixos nos bairros pobres da capital, onde a inflação vem corroendo o poder de compra.

As iniciativas são bem recebidas pelos beneficiários, que se dispõem a passar horas em filas para aproveitá-las. Mas políticos de oposição e economistas privados qualificam-nas de populistas e eleitoreiras, com pouco impacto sobre a inflação.

No começo da semana, o governo anunciou também a oferta de carne de porco e laticínios "para todos". O governo não revela o custo dos programas. Alguns oposicionistas dizem que eles vão beneficiar principalmente produtores de alimentos ligados ao partido Peronista (governo).

"Essas medidas não são nada senão um marketing de campanha ... Mandar alguns caminhões para praças para distribuir porco e leite não é um plano, é um golpe publicitário", disse o parlamentar oposicionista Christian Gribaudo.

Economistas privados calculam que a inflação esteja na faixa de 20 por cento ao ano, mais do que o dobro da taxa admitida oficialmente, e dizem que a solução seria reduzir os gastos públicos.

Mas Cristina rejeita as medidas monetárias ortodoxas, e tem usado acordos de preços e restrições às exportações para tentar segurar os preços.   Continuação...

 
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, em cerimônia em Buenos Aires, junho de 2011. O programa "TVs para Todos" é a nova arma eleitoral de Cristina. 25/06/2011 REUTERS/Marcos Brindicci/Arquivo