Grã-Bretanha estuda interromper redes sociais após distúrbios

quinta-feira, 11 de agosto de 2011 15:24 BRT
 

Por Mohammed Abbas

LONDRES (Reuters) - O governo britânico está estudando interromper os serviços de redes sociais online, como o Blackberry Messenger e o Twitter, durante o período de agitação nas ruas, disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro David Cameron.

Esse tipo de iniciativa, quando adotada por outros países, foi amplamente tachada de repressiva e condenada.

Em janeiro, autoridades egípcias interromperam os serviços de Internet e telefonia móvel durante as manifestações em massa contra o então presidente Hosni Mubarak. A China costuma ser rápida no bloqueio de comunicações online que considere subversivas.

A polícia e políticos britânicos dizem que redes sociais da Internet, em especial o popular Blackberry Messenger (BBM), da Research in Motion, foram usadas por desordeiros e saqueadores para coordenarem seus atos durante os quatro dias de distúrbios na Inglaterra nesta semana.

"Estamos trabalhando com a polícia, os serviços de inteligência e a indústria para ver se seria correto interromper a comunicação das pessoas via websites e serviços quando soubermos que eles estão conspirando para a violência, desordem e criminalidade", disse Cameron ao Parlamento, durante uma sessão de emergência marcada por causa dos distúrbios no país.

Boa parte dos desordeiros preferiu o BBM ao Twitter e outras mídias sociais porque suas mensagens são criptografadas e privadas.

A Research in Motion informou na segunda feira que está cooperando com todas as autoridades de órgãos regulatórios, da Justiça e das telecomunicações, mas não quis informar se iria entregar detalhes de usuários ou de conversas para a polícia.

Os serviços criptografados da RIM vêm sendo acusados de ter auxiliado ataques de militantes na índia e de permitir na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos conversas de homens e mulheres sem parentesco -- o que é vetado pelas normas religiosas desses países.   Continuação...

 
Primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversa com policiais em Birmingham, na região central da Inglaterra. 10/08/2011 REUTERS/Jeff J Mitchell/pool