ANÁLISE-Lei de TV paga deve mudar cenário de telecomunicações

quarta-feira, 17 de agosto de 2011 18:45 BRT
 

Por Sérgio Spagnuolo

SÃO PAULO (Reuters) - Muito aguardado pelo setor, o projeto de lei 116, que regula principalmente o segmento de TV por assinatura, terá influência direta em toda a cadeia de telecomunicações do Brasil.

A regulamentação deve trazer também novos desafios para as empresas que já atuam e as que querem atuar no segmento, e especialistas alertam para a necessidade de investimentos na congestionada infraestrutura de rede no país.

Aprovado na noite de terça-feira no Senado e a caminho de sanção presidencial, o projeto estava em discussão no Congresso há anos e regula, principalmente, a entrada de concessionárias de telefonia no segmento de TV por assinatura e a participação de estrangeiros no capital de empresas de distribuição de conteúdo. Saiba mais

"O PL-116 é o grande estímulo para investir em redes de acessos baseadas em fibra ótica", disse à Reuters Eduardo Tude, presidente da consultoria especializada Teleco. "Já vemos as operadoras trabalhando com esse cenário."

Tais investimentos podem chegar a 144 bilhões de reais até 2020, volume que deve triplicar o número de acessos em TV paga, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

A melhora na qualidade das redes permitirá às operadoras oferecer (ou aumentar a oferta) de serviços de alto valor agregado, como banda larga e o chamado triple play --pacote de serviços formado por acesso rápido à Web, TV paga e telefonia.

Isso vale principalmente para as concessionárias de telefonia, que perderam as restrições para o uso de sua rede.

"O projeto otimiza o investimento, principalmente para alguma atualização de fibra ótica, que agora terá uma receita a mais para rentabilizar essa rede", disse um analista do setor que preferiu não se identificar.   Continuação...